domingo, 24 de abril de 2011

Entrevista com Nelson Rodrigues

Entrevista com Nelson Rodrigues
Nelson Rodrigues
Dramaturgo e cronista esportivo
Entrevista realizada por Geneton Moraes Neto
Título: “Ao cretino fundamental, nem água”
Fonte: Site Genetom
GMN : Quando foi que Nélson Rodrigues descobriu que nascera para escrever ?
Nélson : “A coisa é a seguinte : escrever para mim,muito mais do que uma decisão profissional,é um destino.Escrever é o meu destino ! Não é um caso de opção.Eu só tinha esta opção,uma vez que nasci assim”.
GMN : O senhor se considera um escritor por vocação ?
Nelson : “Digo que,no meu caso,eu nem precisava de vocação,porque o negócio era o óbvio – o óbvio ululante ! Eu tinha de ser aquilo. Se você chagasse junto de mim e pedisse para eu ter outra profissão,podia até dar dinheiro para que eu tivesse outro destino,não seria absolutamente possível”.
GMN : O início foi com ficção ou com jornalismo ?
Nélson : “Eu estava no quarto ano primário na Escola Prudente de Morais.Uma dia,a professora – que mandava a gente desenhar e colorir uma vaca de estampa,para que nós,alunos,fizéssemos em torno da vaca toda uma história – disse : “Olhem aqui : Hoje,vocês vão ter de escrever da próprio cabeça.Agora não é mais sobre a vaca pintada”. E então deixou que cada um de nós fizesse o seu drama,o seu projeto dramático.
Duas histórias tiveram o primeiro lugar.A do meu adversário era um a história de um daqueles magnatas que davam passeios.Ele descrevia o passeio de um rajá no seu elefante favorito.E pronto.A minha foi inteiramente diferente.Eu fiz a história de uma moça que era uma fera.Quase uma dama do lotação.Um dia,o marido chega em casa mais cedo e,quando empurra assim (imita o gesto de alguém forçando o trinco de uma porta) . Entra em casa,segura o amigo traidor e enfia nele uma faca. Eu tive o primeiro lugar e empatamos.O prêmio ao rajá e ao respectivo elefante era uma concessão ao convencional.
Isto foi a primeira vez em que eu era ficcionista.Todo o meu futuro está aí. Era a história de uma pobre adúltera que morreu de maneira tão melancólica.O traidor morreu também de maneira melancólica : direi,a bem da verdade,que a minha história causou um horror deliciado.Eu era,para todos os efeitos,um pequeno monstro.
comecei com treze anos a trabalhar como jornalista profissional e repórter : esse é o caso. Não teria jeito: eu teria de meter uma bala na cabeça…”.
GMN : Para o senhor – que é considerado um mestre nesse ofício – o que é necessário para retratar, num texto teatral, o mundo desses personagens suburbanos das nossas cidades?
Nélson : “Em primeiro lugar, o sujeito tem de ser ficcionista. Precisa ser inteiramente sensível ao primeiro chamamento da profissão. Não basta apenas o gosto. Não é apenas uma facilidade, mas um destino” (pronuncia em tom dramático esta palavra)
GMN : A inspiração é uma entidade que existe para o senhor?
Nélson : “O negócio da inspiração é o seguinte : eu considero a inspiração,ao contrário de Valèrie, que só via a máquina individual do ficcionista. Aquilo é uma coisa que o ficcionista apura com o tempo, desenvolve com a experiência”.
GMN :Dentre as peças que escreveu, qual a que o senhor considera como definitiva, como a obra acabada do dramaturgo Nélson Rodrigues?
Nélson : “O mais importante para mim,até o momento,é o dramaturgo. Volta e meia, me sinto muito perplexo diante de certas manifestações que me induzem ao teatro, embora o teatro tenha um defeito : tenho de vez em quando vontade de fazer certas experiências não teatrais dentro da área de literatura, mas sem ter nada de dramático”.
GMN : Dentre as peças já escritas,qual é a predileta?
Nélson : “ Tenho várias prediletas. Eu diria mesmo que são todas as prediletas.Não tenho prediletas(ri). Todas são favoritas. Já pensei muito em querer discriminar qual a minha melhor peça, mas não sei”.
GMN : Que autores brasileiros de hoje o senhor considera como verdadeiros artistas do teatro?
Nélson : “Vou pular esta,porque tenho autores que são inimigos meus. Pior do que o inimigo é o amigo. Um autor que é um amigo tem todos os defeitos…”
GMN :O senhor diz sempre que “a admiração corrompe”. É o caso ?
Nélson :“É isso, é o caso. A admiração corrompe. O amigo que é o nosso maior torcedor não é o maior coisa nenhuma, porque, ele próprio, não consegue se prender. Então,começa a fazer insinuações e etc…Como eu sinto, evidentemente, o nosso amigo, o inimigo, com a maior facilidade, então eu prefiro o inimigo” (ri).
GMN : Se o senhor fosse levado a fazer uma hipotética opção entre o teatro e o jornalismo, qual dos dois preferiria?
Nélson : “O teatro ! E não é um problema de qualidade intelectual não”.
GMN : O jornalismo brasileiro continua padecendo de objetividade? – que o senhor considera uma “doença grave”?
Nélson :“O idiota da objetividade é o jornalista que tem grande fama, todo mundo, quando fala dele, muda de flexão. Mas eu acho o idiota da objetividade um fracasso. Isso num julgamento absoluto. O idiota da objetividade é também um cretino fundamental”.
GMN : Quais foram as causas da ocorrência desse culto à objetividade que, no conceito do senhor, corresponde à falta de emoção?
Nélson : “Pois é, é esse o negócio (ri de novo). É a falta de complexidade do sujeito que diz só a coisa certa ou aparentemente certa e não vê que todo fato tem uma aura. A verdade é que o fato só, em si mesmo, é uma boa droga. Olhe aí (e mostra a crônica “A Desumanização da Manchete”):
O “Diário Carioca” não pingou uma lágrima sobre o corpo de Getúlio. Era a monstruosa e alienada objetividade. As duas coisas pareciam não ter nenhuma conexão: o fato e a sua cobertura. Estava um povo inteiro a se desgrenhar, a chorar lágrimas de pedra. E a reportagem, sem entranhas, ignorava a pavorosa emoção da população. Outro exemplo seria ainda o assassinato de Kennedy. Na velha imprensa, as manchetes choravam com o leitor. A partir do copy-desk, sumiu a emoção de títulos e subtítulos. E que pobre cadáver foi Kennedy na primeira página, por exemplo, do “Jornal do Brasil”. A manchete humilhava a catástrofe. O mesmo e impessoal tom informativo. Estava lá o cadáver, ainda quente. Uma bala arrancara o seu queixo forte, plástico, vital. Nenhum espanto na manchete. Havia um abismo entre o “Jornal do Brasil” e a cara mutilada. Pode-se falar na desumanização da manchete”.
GMN : A ausência de um ponto de exclamação numa manchete faz falta ao leitor comum?
Nélson : “Faz. Eu digo o seguinte: na minha infância,havia primeiro o “Correio da Manhã”, um jornalaço. E havia “A Noite” – que vendia muito mais. E era um jornal muito mais amado pelo leitor. “A Noite” era um jornal amado (acentua a voz, ergue os braços). O sujeito comprava “A Noite” disposto a ler ou disposto a não ler. Não fazia mal isto. Ler ou não ler era um detalhe insignificante. Mas o povo gostava desse jornal. E esse antigo jornalismo permitia, por exemplo, que você fosse fazer a cobertura de um incêndio e levasse na mão uma casa de pássaro, uma gaiola e metesse a gaiola com um pássaro lá num certo ponto da casa em chamas. E aí o repórter que não era idiota da objetividade dizia que o nosso querido fotógrafo ouviu toda a cantoria do canário. E terminava dizendo: “Morreu cantando” (a essa altura, Nélson Rodrigues concede uma entonação teatral a esta frase). O repórter fora cobrir um incêndio. Mas o fogo não matara ninguém. E a mediocridade do sinistro irritara o repórter. Tratou de inventar um passarinho: enquanto o pardieiro era lambido, o pássaro cantava, cantava. Só parou de cantar para morrer.
A história desse canário fez um sucesso tremendo. Um sujeito queria uma vala especial para o canário, o nosso querido canário cantor. Era lindo. O jornalismo de antigamente era mais ou menos assim. Hoje, a reportagem de polícia está mais árida do que uma paisagem lunar. Lemos jornais dominados pelos idiotas da objetividade. A geração criadora de passarinhos parou em Castelar de Carvalho, o autor dessa reportagem sobre o incêndio. Eis o drama: o passarinho foi substituído pela veracidade que, como se sabe, canta muito menos. Daí porque a maioria foge para a televisão. A novela dá de comer à nossa fome de mentira”.
GMN : Que fatos ou situações brasileiras o senhor contemplaria com um ponto de exclamação numa manchete de jornal?
Nélson : (pensativo, com olhar distante) – “Deixe-me ver… O negócio é o seguinte: houve num desastre uma coisa atroz que foi uma explosão. Morreram seiscentos sujeitos, segundo as manchetes da ocasião. Todo mundo fazia coro… E outro caso de repórter que não era idiota da objetividade: o sujeito foi fazer a cobertura de um desastre de trem. Geralmente, em desastre de trem, morria gente pra burro. Agora, morre muito menos, não sei porque.
Mas qual é o fato ? Deixe-me ver…Ah, o suicídio de Getúlio Vargas foi de uma brutalidade incrível. Uma coisa bonita é que foi uma coisa misteriosa, aí é que não entrou objetividade nenhuma. Morreu, então o cara passa a ser um deus. O que é que você pode fazer contra o cara? Deu um tiro no peito, ia ser deposto. E só porque ia ser deposto ele se mata.
Veja só: no princípio da minha infância havia o pacto de morte. Havia sujeitos que se amavam tanto que já não suportavam mais o próprio amor. Então, o que fazia ele? Propunha à pequena o suicídio, um pacto suicida. Rara era a pequena que duvidava. O lindo era a vontade, o encanto com que esse par de amorosos se matava e cumpria o seu destino. Esse é que é o caso”.GMN : Quer dizer então que na história recente do Brasil o suicídio de Getúlio Vargas seria o último grande fato que mereceria um ponto de exclamação do senhor numa manchete de jornal?
Nélson – “Olhe: quando eu digo merecer a manchete de jornal… (interrompe, olha para a televisão, comenta a iminência de um gol da seleção brasileira, distrai-se, retoma a conversa de um ponto anterior). Você compreendeu como é o caso? Antes de certo tempo aí, achavam que era uma coisa gravíssima o sujeito se matar, era uma covardia. E nem ele nem a menina acreditavam que isso fosse um defeito, o defeito de se matar: alguém ter o direito de destruir o próprio amor e o amor do outro. Mas os dois se destruíram. O sujeito achava que era uma maneira de coroar o próprio amor.Agora, a nossa realidade está realmente muito pobre, muito vazia, sem um certo apelo dramático. Ninguém hoje quer morrer, ninguém quer se suicidar ! . Ali o sujeito só queria destruir o amor. E aí a sogra ia cuspir na morte do sujeito que lhe matara a filha”.
GMN : O senhor lê a chamada imprensa alternativa?
Nélson – “Alternativa o quê?”
GMN : A imprensa alternativa, esses novos jornais que têm surgido, o senhor lê ?
Nélson : “Eu leio de vez em quando mas não faço questão, porque jornal é uma coisa inquietante. O jornal não é o jornal do dia, é o jornal da véspera. Há anos não leio um jornal que não seja rigorosamente o jornal da véspera. Só sai o jornal da véspera e nunca o jornal do próprio dia. São fatos da véspera , figuras da véspera. O fato do dia não existe e ou só existe para rádio e as TVs. No passado, a notícia e o fato eram simultâneos. O atropelado acabava de estrebuchar na página do jornal. E assim o marido que matava a mulher e a mulher que matava o marido. Tudo tinha a tensão, a magia, o dramatismo da própria vida. Mas, como hoje só há jornal da véspera, cria-se uma distância entre nós e a notícia, entre nós e o fato, entre nós e a calamidade pública ou privada. Servem-nos a informação envelhecida. Nós, jornalistas, é que estamos mais obsoletos, mais fora de moda do que charleston, do que o tango”.
GMN :Não há nenhum fato do dia…Nélson – “Pelo menos a gente tem essa impressão. O que nós chamávamos antigamente de furo não existe mais. Todos hoje acham que podem viver sem o furo, ao passo que, no meu tempo, quando eu era garoto, um furo de reportagem era tudo. Era o grande momento da carreira.
Agora, para falar de manchete, outro fato formidável foi o seguinte: antigamente, o Largo do São Francisco era o local próprio para o sujeito se manifestar. E quando havia muitos interessados em se manifestar, havia o diabo, o diabo! Um dia, fizeram uma coisa qualquer com o chefe de polícia. E o chefe de polícia – que era um santo – assinou uma portaria proibindo os estudantes não sei de quê nem ninguém sabe. Tudo que houve foi por conta da falta de bossa, da falta de inteligência dos nossos queridos estudantes.
E então os estudantes resolveram fazer um “enterro” do chefe de polícia – que era um velho general, sujeito que acreditava em honra, num tempo em que ninguém sabia o que era honra. O general era um santo homem e então achou que aquilo era brincadeira de estudante. E lá foi ele dizendo aos queridos investigadores que não queria machucar ninguém. Nada de bala, nada de punhal, dizia o nosso general. E no dia do “enterro”, os estudantes carregavam o caixão, todos levando uma vela acesa. Era uma coisa só, com mil vozes cantando a marcha fúnebre, dando vivas à morte. Dois ou três homens de polícia, furiosos com a questão, simplesmente acharam de matar três estudantes. Aí foi aquela coisa tremenda. Houve então uma manchete, a manchete mortal da imprensa brasileira. Um jornal descobriu uma manchete fantástica (muda a flexão de voz, entusiasmado). A manchete quase derruba a presidência da República, a vice-presidência, o chefe de polícia imediatamente se demitiu, foi embora, não quis mais nada, achando-se culpado. Inventaram uma manchete que até hoje eu gosto de ouvir…”
GMN : Qual foi?
Nélson : “Era assim: “Primavera de Sangue” (pronuncia cada uma das sílabas devagar, como se saboreasse as palavras). A manchete quase derruba o presidente da República, o ministro da Guerra, um negócio terrível. E tudo isso pela beleza que se atribui à manchete. Quero dizer que, se você quiser, com uma frase bem trabalhada, você resolve o caso.”
GMN :De quando foi essa manchete?
Nélson : “Eu era garoto, tenho agora sessenta e cinco anos. E foi na altura dos meus dez anos. Agora, eu sei disso tudo pelas informações do pessoal. O cara que fez esta manchete ganhou uma fortuna, quinhentos mil réis. Só o Rockfeller tinha esse dinheiro na ocasião (ri)”.
GMN :O senhor se interessa por política partidária?
Nélson : “Eu não sou ninguém para dizer certas coisas, mas o bom no brasileiro é que ele, sem saber de nada, diz coisas horrendas”.
GMN : Quais são os políticos brasileiros que o fascinaram ou fascinam hoje? Existe algum nome que o senhor queira citar?
Nélson (Pausa de alguns minutos, ele está pensando) : “Num desses momentos, quem é o sujeito? Já começo a ficar amargurado, porque para achar um sujeito, poder dizer um político interessante… Eu acho que só Napoleão Bonaparte ! (ri)”.
GMN : O senhor já disse que um dos traços do caráter nacional é o fato de que o brasileiro adere a qualquer passeata. Quais seriam os principais traços do nosso caráter nacional?
Nélson : “O brasileiro é um tipo gozadíssimo. O diabo é que o brasileiro não pode se esforçar muito porque, senão, cai na chanchada trágica. O brasileiro é um sujeito que gosta de fazer farra, é um desses que, em pleno velório, põe a mão na viúva. E a viúva é também um caso sério porque este negócio de viúva vocacional é um fato. Há realmente um repertório sensacional de casos. O que atrapalha o brasileiro é o próprio brasileiro. Que Brasil formidável seria o Brasil se o brasileiro gostasse do brasileiro. Houve um tempo em que nem o Departamento de Pesquisa do “Jornal do Brasil” sabia quem era o brasileiro.Mas se um sujeito se apresentava como brasileiro, as pessoas de bem respondiam: “Não te conheço!”.
E muitos duvidavam que o Pão de Açúcar ou o poente do Leblon fossem brasileiros.
Olhe: houve tempo em que a mulher mais séria do mundo, mais digna, mais respeitável se deixava envolver por um poeta, se abandonava por um soneto. Era outra vida. De repente eu fico olhando: era outra vida, outro homem. E havia a figura do bêbado. Hoje, o bêbado é um sujeito que a psicanálise cura depois de quinze anos de tratamento, quando, aliás, a cura já não adianta mais nada. Eu tinha um tio que se enamorou da minha tia Yayá. E se você perguntar “Qual foi o maior homem que você viu no mundo?”, eu acho que esse tio está no segundo ou terceiro lugar, porque o desgraçado, ele amava a minha tia Yayá. Ele já não precisava mais beber para estar bêbado, de alto a baixo. E, com isso, fazia uma considerável economia de dinheiro…
Em minha família houve um bêbado indubitável, foi este meu tio Chico. Como sujeito que bebe muito, ele durou pra burro. Morreu com oitenta e tantos anos, sempre bêbado, rigorosamente. Vem desse tio antigo o meu horror ao bêbado. Mas ele me ensinou também uma série de coisas lindas. Por exemplo: o amor. Meu tio Chico me ensinou a amar. Embriagou-se em cada minuto da lua-de-mel. Bebeu antes, durante e depois. Yayá costurava para o casal não morrer de fome. Mas eu, menino, queria amar e ser amado como esse alcoólatra enlouquecido. Era um amor que hoje não existiria. A minha tia Yayá deu graças a Deus que ele tivesse se apagado. Agora ninguém ama mais, eis o que comecei a descobrir desde os treze anos de batalha. Você ponha aí: o meu tio Chico e sua bem amada Yayá. Era um negócio impressionante.”
GMN : Por que é que o senhor diz, desse jeito, que hoje ninguém ama mais ?
Nélson : “Meu bem, se a evidência objetiva e espetacular vale alguma coisa, o homem não ama mais. E não ama mais porque o nosso cenário se povoa de sujeitos que são débeis mentais absolutos. O sujeito já não acredita em amor, pra começo de conversa. Não acredita em amor. O sujeito acha que todo mundo é a mesma coisa, e apesar disto, se diz marxista. É uma coisa esterilizante que há na vida brasileira, sobretudo carioca. O carioca é esse sujeito fascinante só na base dos defeitos que tem. Arranja logo casamento e é uma besta. E todo mundo diz: “Oh, que coisa, que amor!”.
E eu me lembro de uma menina grã-fina mesmo…
Aliás, diga-se de passagem que eu não acredito na existência da grã-fina nem do grã-fino. Dou-lhes este nome. Mas é incrível esse negócio da mulher moderna (fala com a voz arrastada, como se entoasse um lamento). Nunca ela foi tão infeliz e tão pouco feminina. Eu tive um cachorro, o nosso querido Boogie-Woogie, que ficava diante da minha casa amando sua querida cachorra. Ela ficava lá, digníssima, empinada, recebendo as homenagens. Os carros passavam e achavam o cachorro louco. E esse nosso amigo, o cachorro, era muito mais humano que a mulher dos nossos tempos. Elas se meteram a bestas”.
GMN : O brasileiro continua sendo um “Narciso às avessas que cospe na própria imagem”, como o senhor dizia?
Nélson – “Continua, continua !”.
GMN : Qual é o remédio para isso?
Nélson : “O remédio para isso? Nunca. Para isso não há remédio. Veja que o Brasil ganhou três vezes o campeonato mundial. Se ganhou três vezes, e se o brasileiro não fosse o otário que é, estava tudo salvo, tudo salvo. Ganhou três vezes no futebol, feito como esse ninguém teve e não se conhece isso.
O brasileiro tem virtudes. É bom fazer uma ressalva nesses defeitos que digo. Isso o torna extremamente simpático. Aquela volubilidade… O sujeito ora ama aqui, ora ama ali… Vai lá pra chegada do trem elétrico, vai arranjando os seus amores que, aliás, duram geralmente vinte e um dias, quando duram. Há pessoas que casam e lá na sacristia estão os convidados fazendo apostas sobre a duração daquele casamento. E você pode ficar sossegado porque aquele casamento está inteiramente liquidado antes do começo. Há amores, entendeu, que o sujeito traz consigo e realmente são sinceros. Mas evidentemente, não existe este amor, porque o nosso querido Brasil…
Olhe: em 1958, quando o nosso querido Brasil voltou campeão da Copa, foi o maior futebol que jamais se viu…”
Diga-se de passagem que eu considero o brasileiro o maior sujeito do mundo. O europeu já está esgotado. O europeu tem na casa dele pires de mil anos. Escadas de mil anos. Tudo é velho pra burro. Já com o brasileiro é inteiramente diferente. É como se ele estivesse sempre há quinze minutos do fato. Um negócio genial.
(Nélson tinha mudado de assunto;volta ao futebol)Basta o sujeito passar quinze minutos assistindo a um jogo importante desses camaradas. Esses rapazes são uns gênios. Mas o sujeito pensa que isso não é importante e sai, nem liga. Mas quando o negócio vai se transmitir em forma de gorjeta, aí então o brasileiro é um feroz…”
GMN : O senhor diz também que a paisagem dos países desenvolvidos é triste sem imaginação…
Nélson : “É. Como se não bastasse a padronização de caras, corpos, costumes, usos, idéias, valores, há também a estandardização da paisagem. Tudo prodigiosamente igual. É trágica a falta de imaginação da paisagem no país desenvolvido. O desenvolvimento é burro, ao passo que o subdesenvolvimento pode tentar um livre, desesperado, exclusivo projeto de vida.
O diabo é que o Burle Marx, no Brasil, faz o que nem o europeu faria lá. O nosso Burle Marx retira a flor da paisagem. Dizem que o Amazonas é a coisa mais gigantesca do mundo. O nosso Burle Marx só usa uma cor, a verde, e danem-se as outras cores. Fiz esta anotação e ele me disse numa entrevista dele que o teatrólogo Nélson Rodrigues, com certeza, não estava olhando para a paisagem, não viu outra cor, se não a verde. Fui espiar lá e, realmente, o único paisagista do Aterro do Flamengo é o Exército, porque acrescentou, ao Monumento dos Pracinhas, algumas flores, umas dezessete flores. O paisagista foi o ministro da Guerra. O nosso querido Burle Marx, a quem muito admiro, não pôs flores no Aterro, e com a maior tranqüilidade do mundo. Não precisa prestar atenção… O negócio das cores… (Nesta altura da conversa, ele ri e confessa: “Eu estou tendo lapsos lamentáveis…”).
Você sabe o que é o sujeito fazer uma bobagem e negar a verdade? Se ele aceitar o erro, está bem. Agora, quando o sujeito fica impune… A impunidade faz de um São Francisco de Assis um canalha. Ele comete um ato e ninguém o prende, ninguém o ameaça, sequer.
É este o caso de Burle Marx. Como ele está faturando cada vez mais, não liga por ter feito um jardim onde só existe uma cor e onde não tem uma violeta. Ele está cada vez faturando mais, e mais fiel aos seus erros, porque descobriu que o erro está muito mais perto do êxito. Já falei pra burro, agora você está satisfeito, não é? E vai querer continuar…”
GMN : Agora, uma explicação para as causas do rancor e da ironia feroz que o senhor cultiva diante de seus personagens, como por exemplo, “as verdadeiras grã-finas”…
Nélson : “O que eu acho é que a gente diz “grã-finas” sem achar que elas tenham obrigação de agir como grã-finas. E elas não agem como deviam ser. Maria Antonieta podia dizer: “Ah, eu sou grã-fina…”. Por isso, certa vez, o povo estava urrando de fome de fora do palácio e ela disse: “Se não tem pão, comam brioche”. Então, a Maria Antonieta é que poderia bradar: “E, portanto, eu posso dizer que sou grã-fina”. Ela derrubou um erro, derrubou um regime horrendo. A única grã-fina do mundo é a Maria Antonieta. De então para cá nunca mais vi uma grã-fina. E muito menos uma grã-fina paulista que é gorducha, porque tem dinheiro à beça para comer. E come. Mas não existe. A nossa querida grã-fina precisa de dinheiro. Como precisa de dinheiro, e está furiosa porque não tem, então assume diversas atitudes, como, por exemplo, dizer numa mesa: ”Na minha casa, só as criadas vêem televisão”. As grã-finas não existem. A única descoberta que eu fiz com as grã-finas foi esta: elas não existem.”
GMN : E as “estagiárias de calcanhar sujo”?
Nélson : “Já as estagiárias têm uma existência feroz…(ri, acentua o tom de voz). Sobre nossa querida estagiária, eu vou te dizer o seguinte: é incrível. Meninas que não serviriam para babá nem poderiam entrar num cinema para ver filme francês ou meu próprio filme, a “ A Dama do Lotação”, fazem atitudes que os bocós consideram geniais.O que assombra na estagiária não é a sua graça pessoal, mais discutível, menos discutível, segundo cada caso. O que me assombra são as suas perguntas e repito: são as perguntas que tornam a estagiária um ser tão misterioso e absurdo como certas imagens de aquário. Uma dessas meninas irreais de redação é bem capaz de atropelar um presidente, um rajá, um gangster ou um santo ou, simplesmente, uma dessas velhas internacionais que embarcam em todos os aeroportos. E perguntar: “Que me diz o senhor, ou a senhora, de Jesus Cristo do Nada Absoluto, do Todo Universal ou da pílula?”
Você veja: uma delas foi incumbida de entrevistar um milionário. Ligou para a casa do milionário, disse: “Eu queria falar com o Dr. Fulano”. Do outro lado, uma voz responde: “Dr. Fulano não está passando bem”. E a menina insiste: “Então, pergunta a ele se…”. Desligam e a estagiária disca novamente, não com o dedo, mas com o lápis: “Eu queria falar com o Dr. Fulano”. A pessoa diz, desatinada: “Minha senhora, o Dr. Fulano acaba de ter um enfarte. Enfarte, minha senhora, enfarte. A senhora quer que eu diga mais do que estou dizendo?”. E a estagiária: “Vai lá e pergunta a ele o que é que ele acha da pílula. Eu espero”.
A família do enfartado toda se descabelando… o que, aliás, é raro, porque, no nosso tempo, a família chora muito pouco. O inimigo da morte – que é o clínico – dá logo um furioso calmante.
A estagiária então liga novamente. Dá sinal de ocupado. Continuou, com uma obstinação fatalista. E sempre ocupado. Uma hora depois, atendem. Era uma mulher que ou estava gripada ou chorando. A estagiária diz: “Por obséquio, eu queria falar com o Dr. Fulano”. Responde a voz feminina: “O Dr. Fulano acaba de falecer”. E a estagiária: “A senhora diz a ele que é só uma perguntinha”… e etc.
Agora, há um dado que me parece essencial. As entrevistas das estagiárias têm uma virtude rara: nunca saem. Falo por experiência própria. Quase todos os dias, uma estagiária me caça pelo telefone. E eu falo sobre todos os temas e personalidades. Opinei sobre os Kennedy, João XXIII, o Kaiser, Gandhi. No dia seguinte, abro o jornal e vejo que não saiu uma linha. Mas uma coisa curiosa: não só as estagiárias. Profissionais da melhor qualidade estão seguindo a mesma linha. Posso dizer que a nossa imprensa criou o novo gênero de entrevistas que não serão publicadas nem a tiro”.
GMN : O que é que o Recife significa para o senhor hoje?
Nélson : “Eu gosto do Recife pra burro. Vim de lá aos cinco anos de idade. Fiquei lá até o ano de 1929. Você veja: me dá pena estar pensando no Recife e nunca ir lá. Tenho, em minha memória profunda, um apelo de pernambucano pelo Recife”.
GMN : O senhor não pensa em voltar?
Nélson : “De vez em quando eu faço evocações......(Um dos textos de “O Reacionário” traz lembranças da cidade ) Toda a minha infância tem gosto de pitanga e de caju. Pitanga brava e caju de praia. Ainda hoje, quando provo uma pitanga ou um caju contemporâneo, sou arrebatado por um desses movimentos proustianos, por um desses processos regressivos e fatais. E volto a 1913, ao mesmo Recife e ao mesmo Pernambuco. Alguém me levou à praia e não sei se mordi primeiro uma pitanga ou primeiro um caju. Só sei que a pitanga ardida ou o caju amargoso foi a minha primeira relação com o universo. Ali eu começava a existir”.
GMN : O senhor não volta ao Recife porque tem medo de avião?
Nélson : “Acho chato viajar de avião, não quero voar, a não ser caso de vida ou morte. Tenho horror às viagens. A partir do Méier, começo a ter saudades do Brasil”.
GMN : Qual foi a última vez que o senhor esteve no Recife?
Nélson : “Em 1929. Tenho um sadio horror de avião”.











terça-feira, 12 de abril de 2011

Comandante tupiniquim ficou tirando fotos

Na China, quando Dilma desceu do AeroLula, o piloto da aeronave protagonizou uma cena no minimo inusitada. Diante do cerimonial diplomático chinês, Dilma desceu as escadas e o comandante tupiniquim, ficou tirando fotos a partir da cabine

Habeas Corpus para Armando Salles de Oliveira e outros

Há 66 anos, no dia 11 de abril de 1945, o STF, por unanimidade de votos, concedeu a ordem de HC impetrada pelo professor dr. Waldemar Ferreira e outros advogados, em número avultado, em favor dos drs. Armando de Salles Oliveira, Otavio Mangabeira e Paulo Nogueira Filho, para que livres de culpa e pena pudessem retornar à pátria, condenados, que estavam, pelo Tribunal de Segurança Nacional a 2 anos de prisão, grau mínimo do art. 3º, n. 9, do decreto-lei 431, de 1938, em processo nulo por falta de citação pessoal, que poderia ter sido feita, não obstante expatriados em Nova York e Buenos Aires. A ordem foi concedida porque não estando os pacientes na situação de soltos ou foragidos, a citação não podia ser feita por edital afixado na porta do Tribunal, como de fato se fez. A propósito de um dos pacientes, Armando de Salles Oliveira, ex-governador de SP, o jornal O Estado de S. Paulo, que com ele tinha ligações familiares (era cunhado de Júlio de Mesquita Filho), registra hoje o falecimento de sua filha (Lucilla Salles Teixeira de Barros, aos 93 anos), ocorrido no último dia 9.

domingo, 10 de abril de 2011

Os pais já não sabem ser pais

9 de abril de 2011
JT Mariana Lenharo
As famílias estão pedindo ajuda para educar suas crianças e desistiram de cumprir a tarefa sozinhas, terceirizando-a para terapeutas, pedagogos, babás e outros profissionais. Já existe até um serviço especializado em socorrer pais desorientados, o coaching family, uma opção que conquistou a Europa anos atrás e agora chega a São Paulo por meio da pedagoga Tânia Queiroz.
Toda essa dificuldade doméstica, dizem os especialistas, surge porque os pais, atualmente, têm de lidar com questões que não afetavam gerações anteriores: novos formatos de família, a falta de tempo para conviver com os filhos e a culpa que sentem por causa dessa ausência, refletida na dificuldade de impor limites. Soma-se a isso o acesso quase ilimitado das crianças às informações, sem a necessidade de adultos, tirando deles o status de fontes da experiência e do saber.
A urgência dos pais por algum tipo de ajuda está evidente para a psicopedagoga Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. “Os pais não estão sabendo ser pais. Têm medo de colocar limites e perder o amor dos filhos. Estão confundindo limite com repressão”, afirma.
Segundo ela, os filhos percebem essa insegurança e tornam-se tiranos, fazendo com que suas vontades sempre prevaleçam. “Fazer um treinamento específico é um processo facilitador, não imprescindível. Participar das atividades que a escola oferece e se aproximar do filho, passando mais tempo com ele, já ajuda.”
Tânia Queiroz, responsável pelo family coaching no País, propõe workshops temáticos para “fornecer recursos emocionais que os pais possam usar para melhorar o funcionamento da equipe-família”. Segundo ela, as famílias já perceberam que o mau comportamento dos filhos está relacionado à desatualização do método de educação que conheciam.
“Descobriram que precisavam de ajuda para orientá-los na educação dos filhos e harmonia familiar e que não podiam se limitar a pagar a mensalidade das escolas e presentear os filhos para compensar sua ausência”, diz.
Presidente da Sociedade Brasileira de Coaching, Villela da Matta critica o uso do termo ‘coaching’ para se referir à abordagem praticada por Tânia, já que um dos princípios dessa técnica é que o trabalho seja personalizado para as necessidades de cada indivíduo ou grupo. “Coaching é a palavra da moda e ela está sendo banalizada. Quando faço palestras e workshops para diversas famílias, faço um treinamento. Isso não é personalizado”, informa.
O método do family coaching já vem sendo aplicado nos EUA e na Europa desde a década passada e foi tema de um livro publicado no fim do ano passado pelas psicólogas portuguesas Ângela Coelho e Sandra Belo.
Independentemente do nome usado para designar a ajuda prestada aos pais, Silvio Barini, diretor do Colégio São Domingos, na zona oeste, confirma o sentimento de desorientação entre as famílias.
“Algumas têm o ímpeto muito assumido de terceirizar a educação de seus filhos e, ao serem solicitadas diante de algumas questões, dizem que vão enviar o terapeuta, o psicopedagogo ou a babá para o atendimento na escola”, constata.



quinta-feira, 31 de março de 2011

FATEC Piracicaba oferece curso de oratória

A FATEC Piracicaba estará promovendo o curso de Oratória, abrangendo informações sobre saúde vocal, uso de telefone e planejamento de reuniões administrativas, ministrado pelo prof. Nélson Bertolini, profissional de Comunicações Sociais há muito tempo. O objetivo do curso, além de orientar para a comunicação clara, expressiva e persuasiva, busca desinibir os participantes, com muitos exercícios práticos, gravados, para auto-avaliação. Destina-se principalmente a pessoas que se utilizam da voz como instrumento de trabalho ou persuasão, como vendedores, professores, políticos, pregadores, radialistas,contabilistas, advogados, executivos de todos os níveis. A duração do curso, sempre aos sábados, é de 35 h, das 13 h às 18 h. As aulas estão programadas para os dias: 7, 14, 28 de maio – 4, 11, 18 e 25 de junho. Os participantes receberão material didático para exercícios, apostila, certificado final e “coffee-breaks” durante as aulas. Informações pelo telefone 3413-1702. A FATEC Piracicaba fica na R. Diácono Jair de Oliveira, 651, no bairro Santa Rosa (saída 141 da Estrada Limeira Piracicaba – a 1, 5 Km do Shopping Piracicaba), na entrada do Parque Tecnológico Engenheiro Agrônomo “Emílio Bruno Germek”. O número de vagas é limitado, para melhor aproveitamento e orientação individual aos participantes.
(nb. MTb. 8.265 – mar/2011 – cel. 9706-8705)

terça-feira, 29 de março de 2011

30 anos do estúdio J.C. Violla

Rua Alves Guimarães, 445, Pinheiros, cidade de São Paulo. Mais de 21 mil alunos em 30 anos de aulas dadas no mesmo endereço. São números muito expressivos e exclusivos, que transformam o estúdio de J.C. Violla em um “case”. Não foram poucas as escolas que fizeram sucesso e depois fecharam, e o seu estúdio de uma sala só atravessou todas as turbulências dessas três décadas, mantendo-se lotado.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, J.C. Violla conversou sobre essa singularidade, dentre outras, do seu percurso profissional. “Tive e ainda teria possibilidade de ter uma escola grande, com muitas salas. Vários alunos me convidaram para esse projeto, outros queriam abrir uma casa noturna com o meu nome, uma confecção, um café, propuseram franquias do estúdio em outros Estados. Talvez não tenha visão de empresário. Durante alguns anos, me perguntava se não tinha jogado fora essas oportunidades, se tinha feito burrice. Mas o que eu sei é dar aula e dançar, dediquei a minha vida a isso, não sei fazer outra coisa. E dei cada aula prestando atenção em cada um desses mais de 21 mil alunos.”
Os próprios alunos se espantam com a memória do professor. “Dou aula há mais de 35 anos e sou muito bom fisionomista. Se não reconheço de imediato um ex-aluno, basta que tire o sapato e mostre o seu pé. Às vezes, estou na praia, vejo um pé passando, subo o olhar e encontro um rosto conhecido. O pé é muito importante no meu trabalho, talvez por influência de Dona Maria, minha professora que claudicava, ou pela minha facilidade, desde criança, para saltar bem alto. Sei que não é comum, mas conheço as pessoas pelo pé.”
Além de ter sido a primeira a lhe dizer que era bailarino, Maria Duschenes também foi responsável por sua iniciação na carreira de professor. Sua primeira aula foi no ginásio do Sesc Consolação, onde Dona Maria, a mestra que trouxe os estudos de Laban para São Paulo, dava um curso para 200 terapeutas. “Foi entre 1973/1974, e assustei quando ela simplesmente me colocou para dar aula para eles.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.30 de dezembro de 2010

Xuxa Maria da Graça Meneghel

‘Estou velhinha para saber o que quero’
23 de dezembro de 2010
Categoria: Celebridades, Entrevistas, TV
Aline Nunes Jornal da Tarde
Nos anos 80, a gaúcha Maria da Graça Meneghel desfilou pelo Brasil e estampou mais de 100 capas de revistas – por causa do trabalho de modelo e de seu namoro com Pelé. A convite do diretor Maurício Shermann, Xuxa – como viria a ficar conhecida – estreou na TV Manchete em 1983, no Clube da Criança. Três anos depois, foi para a Globo apresentar o Xou da Xuxa. Em poucos anos, conquistou o título do qual ela tanto se orgulha: rainha dos Baixinhos.
Hoje, aos 47 anos, Xuxa já gravou 16 discos para o seu público. Só com Xou da Xuxa (1988), vendeu 3,2 milhões de cópias. Em 1991, a revista Forbes apontou a brasileira na 37ª posição do ranking do show business internacional, com um faturamento de US$19 milhões por ano, à frente do astro Mel Gibson.
Ano que vem, ela completará 25 anos de Globo, sem fazer o sucesso de outros tempos. Os números comprovam. Hoje, seu programa, TV Xuxa, exibido aos sábados, rende audiência média de 10 pontos, contra os 24 pontos que a apresentadora dava em 1991. Ela se defende, dizendo que nem as novelas dão o mesmo Ibope de antes. É verdade. Mas as novelas não tiveram queda tão forte. Há dez anos, O Clone teve média de 48 pontos. Hoje, Passione tem dado 35 pontos, queda de 27% na audiência – bem menos que os mais de 50% sofridos por Xuxa.
Em entrevista ao JT, a apresentadora – que terá um especial de Natal, amanhã, às 21h55, na Globo – fala da sua atuação à frente da Fundação Xuxa Meneghel, que luta pelos direitos de jovens e adolescentes, da relação com a filha, Sasha, 12 anos, e se esquiva quando o assunto é vida amorosa. Confira:
Este ano, a Fundação Xuxa Meneghel completa 21 anos. Qual a maior dificuldade que passou com a instituição?
O fato de deparar com novas necessidades. As crianças precisam de tecnologia, de novos suportes para o desenvolvimento. Há sete anos, eu não recebia nenhuma ajuda. Agora, temos pessoas que sonham comigo. Quando várias pessoas sonham juntas, o resultado é muito melhor. Sempre que posso, vou lá. A Sasha já foi comigo algumas vezes. Mas ela tem as atividades dela. Por isso, durante a semana não sobra muito tempo.
Você pretende fazer outras ações beneficentes, como a que fez no Maracanãzinho, que vai ao ar amanhã, na Globo?
É o segundo show de Natal que fazemos lá. Se puder, quero fazer sempre!
Voltando à Sasha… você é o tipo de mãe controladora?
Se for necessário, sou, sim. Mas sempre respeitando o espaço da minha filha.
Preocupa-se da Sasha seguir seus passos?
Ela vai seguir o caminho que quiser. Eu sempre estarei por perto.
O que nunca deixaria a Sasha fazer?
Algo que a machuque.
Como é a sua relação com o pai dela, Luciano Szafir?
Melhor impossível!
O que você gosta de fazer com Sasha e nas suas horas livres?
Ficar com ela já é um ótimo programa. Ver filmes, viajar, brincar. Tudo é bom.
Do que mais você sente saudade da sua época de criança?
Do cheiro, do gosto das frutas, de poder comer tudo, de não ter grandes preocupações. Só precisava tirar notas boas.
Que hábitos preservou da época em que vivia no Rio Grande do Sul?
Não bebo chimarrão nem como carne. Mas o sotaque até hoje me persegue.
Seu pai lhe deu o nome de Maria da Graça em homenagem à Nossa Senhora da Graça. Você é devota de algum santo?
Eu sou católica e creio em Deus acima tudo. Respeito muito todas as religiões, mas rezo pros meus santos: São Judas Tadeu, Nossa Senhora Desatadora dos Nós, Nossa Senhora das Graças, São Francisco
Qual foi o momento mais difícil da sua vida? Por quê?
Não gosto de falar de momentos difíceis, eles já passaram.
E o que já fez e se arrependeu?
Acreditar demais nas pessoas.
Pensa em parar de trabalhar com o público infantil?
Com certeza, um dia isso vai acontecer. Quando? Não sei.
Gostaria de ter mais espaço na Globo?
A Globo sabe o que é melhor pra mim e pra eles. Estou tranquila.
Você já teve programas com Ibope elevado. Hoje, o quadro é outro. Sente falta de render altos índices de audiência?
Como no passado? Nem novela dá mais Ibope como antes. Isso não pode ser preocupação do artista, e sim dos diretores. Trabalho com diretores que brigam por mim: Roberto Talma e Mariozinho Vaz.
O que gostaria de fazer na TV?
Acho que já fiz de tudo um pouco.
Como se vê no trabalho e na vida pessoal daqui a 10 anos?
Com 57 anos, com muito mais experiência, mais madura e com mais histórias pra contar. Mas sem botox.
Por ser uma pessoa pública, sempre existem especulações em torno da sua vida amorosa. Como lida com isso?
Eu? Muito bem. Acho que a imprensa é que precisa lidar melhor com a minha vida amorosa.
Você tem medo de dar início a um relacionamento amoroso, por causa da repercussão?
Como assim? Você acha que se eu quiser ficar com alguém eu deixo de ficar porque podem falar? O que é isso? Se eu tivesse 20 anos, até poderia me preocupar com isso. Mas estou bem velhinha pra saber o que eu quero, quando e como.
Você está solteira?
Nunca casei.
O que falta acontecer na sua vida?
Falta viver tudo o que Deus me reservou.



José de Abreu

José de Abreu fala sobre drogas, aborto e política
31 de janeiro de 2011
13h25
ALINE NUNES Jornal da Tarde
José de Abreu gosta de dizer que, para ele, fazer novela das nove ou Malhação não faz diferença. Aos 64 anos e há três décadas atuando em obras da Globo, ele está prestes a estrear em ‘Insensato Coração’. Seu personagem, um homem que já foi famoso e agora vive na sombra do reconhecimento e do conforto que um dia teve, entrará na novela nos próximos capítulos. O personagem é um sujeito bem diferente de Zé – como o ator é chamado pelos amigos, que gosta mesmo é de trabalhar. E não teve vida fácil. Em 1968, aos 21 anos, passou 2 meses preso, vítima da Ditadura Militar. Depois, saiu do Brasil e foi viver em Londres, onde lavou pratos. Sua experiência seguinte foi como motorista de ônibus em Amsterdã. Na Grécia, foi servente de pedreiro. Para ele, o que vale é aproveitar a vida e agregar conhecimento, ainda que sob efeito de ácido. Como contou na entrevista a seguir. Confira:
O estilo do seu personagem (Milton) é bem recorrente nas novelas do Gilberto Braga. Não teve uma má impressão em fazer?
Não. Eu estava fazendo ‘Malhação’ quando o Dennis (Carvalho) estava dirigindo ‘Dalva & Herivelto’ (2010). Daí, encontrei com ele no Projac e fiz um verdadeiro escândalo, disse que tinha adorado a minissérie. Dei um abraço nele e falei: “Vamos fazer a novela do Gilberto (Braga)”. Pedi o papel, mesmo. Era para o Daniel Dantas fazer, mas ele ficou ocupado com o seriado ‘Aline’. Então, me chamaram para o lugar dele.
Quando você foi escalado para ‘Malhação’, se sentiu menosprezado por ser uma novela juvenil? Não. Eu pedi para fazer Malhação. Já tinha feito em 2003, com a Maitê (Proença). Eu adorei trabalhar com a meninada. Não fico preocupado de não ter personagem. A diferença que ganho de salário entre quando estou em casa e quando estou trabalhando é pequena. Mas gosto de sair de casa, ir para o Projac. Não vejo problema em fazer ‘Malhação’ ou novela das nove. Gosto dos jovens.
Mas você já chegou a dizer, no Twitter, que os jovens de hoje são muito hipócritas. Por quê?
Ah, foi numa discussão eleitoral. O Serra levantou na campanha as coisas mais retrógradas. Até essa coisa que o Índio(da Costa, o político do DEM, vice-presidente do José Serra nas eleições de 2010) começou a fazer, de relacionar o PT com maconha… Aí, brinquei que ele era surfista e surfista e maconha têm tudo a ver. Mas enfim… o que falei é que o jovem que usa droga no final de semana tem uma postura na campanha hipócrita, que não é a verdadeira.
Então, você estava defendendo a Dilma Rousseff?
Não é isso. Para mim, os jovens assumiram essa postura no Twitter só para penalizar a Dilma, como a mulher que aprova o aborto e a união entre pessoas do mesmo sexo. A juventude que odeia o PT defende uma postura do Serra que nem ele mesmo tem. A mulher dele fez um aborto, na época em que ele esteve exilado, no Chile. Aliás, até hoje a classe média faz muito aborto, frequenta clínicas de aborto na Tijuca, em Botafogo (bairros do Rio). É muito fácil fazer com cuidado, com preparo. Já a mulher que é pobre, mora no meio do mato, na favela, no interior, não pode fazer aborto. Tem de morrer. Isso é doido.
Você é a favor do aborto e da legalização da maconha?
Eu sou a favor da responsabilidade do cidadão. A mulher precisa chegar no SUS e dizer: “Estou grávida, mas não quero ter o filho”. Tem de ter um prazo, um tempo certo, o seguro. Tem de ser assim. Ela vai lá e faz porque quis fazer. Sobre as drogas… o crack você fuma uma vez e está viciado. Você nunca ouviu falar que a pessoa fumou tanta maconha e bateu o carro ou assaltou alguém na esquina. Convencionou-se socialmente que maconha é uma coisa de favelado. Por mim, a maconha tinha de ser liberada. O álcool provoca mais conflitos sociais. Não tem lei seca para a maconha. A maconha não muda nada na sua vida. No máximo, você vai sair rindo.
Você já usou?
Eu usava maconha, tomava LCD. Era normal. Eu morei em Londres. Lá era liberado. Ninguém dava bola. Mas não uso mais. Foi uma coisa política. O movimento hippie, do qual eu participava, não tinha aquela coisa de ficar sem tomar banho. Era uma coisa mais profunda. A maconha era uma coisa de comunidade, de todo mundo fumar o mesmo baseado.
Você nunca teve uma experiência negativa com ácido?
A gente não tomava ácido para fazer besteira. Tomava para ampliar o conhecimento. Mas a gente se cuidava. Uma vez, li um livro que falava de experiências dos índios da Amazônia, de tribos que tinham essa coisa de ampliar o conhecimento para atingir um outro nível de percepção da vida. Quando a gente fazia uma viagem, a gente se concentrava. E havia pessoas que não tomavam o ácido para poderem cuidar da gente. Era uma dificuldade enorme só pra trocar um disco (risos). Com alguém de fora, não precisávamos nos preocupar com isso.
Como você se manteve no tempo em que viveu em Londres?
Trabalhava das 11h às 15h, lavando pratos. Terminava o serviço, lavava a cozinha, colocava o lixo para fora e estava pronto. Depois, em Amsterdã, fui motorista de um ônibus de turismo alternativo. Depois, fui para uma ilha na Grécia e fui servente de pedreiro. Isso foi muito duro. Minha vida dá um livro. Tanto que estou há dez ano tentando escrever.
Por que você fala que foi tão duro quando viveu na Grécia?
Eu não aguentei muito como servente. O trabalho era muito pesado. Doía o corpo todo. Machucava muito a mão. Eu misturava cimento, cal e água e levava naquele carrinho de pedreiro. Era muito pesado. Eu morava numa Kombi. Comia basicamente arroz integral, feijão azul, muito grão, cereal e pouquíssima carne.
E foi nessa época então que você foi exilado e teve de deixar o Brasil? Aliás, qual foi o motivo?
Sim. Mas eu me auto exilei. Não fui perseguido. Fui preso no Congresso da UNE, em 1968. Fiquei dois meses preso. Sofri muito, mas não fui maltratado. Deus me livre de ser torturado. Eu sonhava todas as noites com isso. Só sabia de casos. Um vizinho tinha a casa invadida às 3 horas da madrugada, estupravam a mulher dele e ainda faziam o coitado confessar que tinha sido ele.
Por esse seu envolvimento político, que político brasileiro você gostaria de ser?
Ah, o Lula. Eu fui aprendendo a gostar dele. O Lula presidente virou uma coisa impressionante. Ele é muito sabido, tem uma grande sensibilidade política.
E quem é a pior figura no nosso cenário político?
O Paulo Maluf. O doutor Paulo, com aquela cara de pau, é imbatível. Ele fala as mesmas coisas há 30 anos. Qualquer jornalista pergunta e ele responde o que quer. Ele criou um personagem e acredita nisso. Um dia, encontrei com ele num evento e ele soltou aquele: “Meu amigo”. Íntimo mesmo, sabe? Mas eu tenho certeza de que ele não fazia menor ideia de quem eu era. Tudo cena.
Você está na Globo há 30 anos. O que faria você deixar a emissora?
Só sairia se fosse para fazer novela na Record. Mas isso não vai acontecer. A Record já me ofereceu uma fortuna, e a Globo cobriu. Gosto de ir lá (na emissora). Conheço todo mundo, do guarda do estacionamento ao cara da iluminação. Gosto de usar a camisa do Flamengo no dia seguinte a uma vitória do time e ver um monte de gente no Projac com a camisa.





"O futuro é um edifício misterioso que levantamos na terra com as próprias mãos, e que mais tarde deverá servir-nos a todos de moradia."Victor Hugo

O eterno contador de histórias

Basílio de Moraes Cavalheiro Filho (dezembro de 1916, março de 2011)
Quando criança, Basílio viu São Paulo ainda sob a luz dos lampiões a gás. Já idoso, divertia amigos contando que quando moleque de calças curtas, ele e os amigos corriam pelas ruas do Centro atrás do funcionário público que acendia os lampiões somente para ter o prazer de apagá-los.
Ainda jovem para lutar, participou da Revolução Constitucionalista de 1932 como mensageiro. Aos 16 anos ficou órfão de pai e foi trabalhar como office-boy. Participou de competições de natação no Rio Tietê e, na década de 1940, andou de moto em Interlagos . Estudou contabilidade e foi diretor do Sindicato dos Contabilistas de São Paulo, além de professor de Contabilidade Geral e Industrial. Além de seu próprio escritório, atuou na área de loteamentos em Serra Negra, Niterói e Ubatuba. No início da década de 50, conheceu Ubatuba, para onde mudou-se em 1959 e abriu na cidade uma loja de materiais de construção.(Diário de São Paulo)
Foi vereador várias vezes, presidente da Câmara e prefeito da cidade em duas gestões, na década de 1970. Adorava também o ritmo da cidade grande e, até poucos meses antes de adoecer, ainda morando em Ubatuba, vinha periodicamente a São Paulo. Em Ubatuba, onde morou até o fim da vida, tinha amigos em todos os lugares e, ao andar pela cidade, parava para cumprimentar e conversar com cada um deles, tomar um cafezinho e talvez comer um salgadinho. Parecia imortal. Mas, em 15 de março, aos 94 anos, partiu, deixando esposa, filhos e netos, que ficam com as boas lembranças de um incansável contador de histórias.

domingo, 27 de março de 2011

Ana de Hollanda ''O jogo é violento''

João Bosco Rabello e Julio Maria - O Estado de S.Paulo

27 de março de 2011

BRASÍLIA
Ministra da Cultura fala sobre as polêmicas de sua recém- iniciada (e já agitada) gestão


Ana de Hollanda sabia que o jogo seria violento. Seu irmão Chico Buarque avisou. Seus melhores amigos alertaram. "E, olha, confesso que está sendo mais violento do que imaginei", diz. A vaidade denunciada no cuidado com as unhas e o batom, a voz macia de cantora desde a juventude e a aparência de fragilidade escondem a determinação de enfrentar os conflitos gerados desde sua posse.
Poucas vezes se viu um início de gestão de tamanha turbulência na pasta da Cultura. Antes mesmo de tomar pé dos problemas herdados e ainda sem saber de qual orçamento disporia, foi alvo de furiosa campanha de segmentos insatisfeitos com seu primeiro ato: a retirada do selo Creative Commons do site do ministério.  CC oferece uma relação mais livre dos usuários com as obras artísticas, mas repassando o custo ao autor, instado a reduzir seus direitos autorais. O gesto lhe valeu a pecha de "ministra do Ecad", para classificá-la de retrógrada.
Esse e outros episódios resultaram na desistência da contratação do sociólogo e cientista político Emir Sader - convidado por ela própria para dirigir a Fundação Casa de Rui Barbosa- que a chamou pelos jornais de "meio autista". Uma ala do PT disse que a dispensa de Sader foi do Palácio do Planalto. Ana, aqui, diz que foi dela.
A aprovação de captação de R$ 1,3 milhão em incentivos para Maria Bethânia elaborar um blog de poesia reabriu velhas e espinhosas discussões referentes à Lei Rouanet. Ana considera o episódio "uma tempestade em copo d"água."
Na semana passada, ela ouviu do governo norte-americano, durante a visita de Barack Obama ao Brasil, preocupações em torno de propostas de flexibilização dos direitos autorais apresentadas por seu antecessor, Juca Ferreira. Na visão dos americanos, elas poderiam representar um estímulo à pirataria.
Nessa entrevista ao Estado, a ministra aborda diretamente esses e outros temas, garantindo que a ação do governo em relação aos direitos autorais terá como limite a não intervenção nas relações contratuais privadas.
A senhora até agora falou pouco e ouviu muito. Está sendo um começo difícil?
Qualquer anúncio de mudança gera insegurança. Por mais que tentemos esclarecer que estamos estudando as questões, as pessoas querem respostas imediatas. Aí começam a sair versões do que poderia estar certo ou errado. Eu nunca tive uma situação como temos agora, de sentar para responder.
Qual foi sua primeira impressão ao ler o projeto de lei do ex-ministro Juca Ferreira, que pede mudanças na atual lei dos direitos autorais?
Aquela proposta me assustou um pouco. O direito do autor está previsto na Constituição, é uma cláusula pétrea. Ele tem que ser respeitado. Comentava-se muito no meio cultural que as mudanças estavam deixando o autor em uma situação frágil em vários aspectos.
Por exemplo?
Quando se falava das cópias de um livro, por exemplo. Se essa obra for editada sem autorização, pela lei vigente, a obra seria recolhida e o infrator pagaria uma multa de, se não me engano, o equivalente a 30 mil cópias. A proposta de reforma já falava em multa de até 30 mil livros. Ou seja, a multa poderia ser de um, dez ou 30 mil. São detalhes que deixam o detentor dos direitos em situação frágil. 
As mudanças da lei propostas por Juca davam ao presidente da República poder para conceder os direitos de obras em casos especiais. A senhora já retirou esse poder do presidente e o repassou ao Judiciário. Qual é o limite da participação do Estado em questões ligadas aos direitos autorais?
Sinto ainda que existe uma interferência muito forte do Estado no projeto de lei e isso, de uma certa forma, vai infringir a Constituição. O direito de associação de artistas é permitido pela lei, é livre. Então o intervencionismo do Estado (na fiscalização do Ecad) é muito complicado. Mas entendo que é necessário haver, sim, uma transparência para os autores sobre seus rendimentos.
A senhora está dizendo que o Estado vai fiscalizar o Ecad?
Eles devem apresentar um balanço público (sobre o que arrecadam em direitos autorais).
O que a senhora discutiu com o secretário do comércio dos EUA, Gary Locke, durante a visita de Obama ao Brasil?
Ele estava muito preocupado com a questão da liberação dos direitos. De como a flexibilização no direito autoral pode acarretar mais tolerância com a pirataria. Isso não preocupa só os americanos, preocupa nossa indústria cinematográfica, editorial, fonográfica. Estão com medo de que essa produção seja fragilizada. É muito preocupante essa possibilidade de a gente liberar para o mundo nossa produção. Isso pode desestimular os artistas. Por que vão editar obras no Brasil se o Brasil não as protege?
Foi pensando assim que a senhora mandou retirar o selo do Creative Commons, que propõe maior liberdade nos licenciamentos de obras artísticas, do site do Ministério da Cultura?
Eu achei muito estranha a gritaria que esse caso criou. Aquele selo era uma propaganda dentro do site do MinC. Não existe a possibilidade de você fazer propaganda ali. A responsável agora sou eu e eu não podia permitir que isso continuasse.
A decisão da senhora então não foi ideológica?
Não, foi administrativa.
Então, ideologicamente, o que a senhora pensa dessa nova relação de direitos autorais proposta pelo Creative Commons?
A questão que me preocupa é que a concessão de direitos no Creative é irreversível. Há sempre um prazo para uso de direitos autorais. Eu posso ceder minha obra para tal uso por cinco, dez anos e depois eu posso reaver essa obra. Mas é bom dizer que essa decisão, de usar o Creative Commons, cabe unicamente ao autor.
Palavras da senhora no discurso de posse: "É importante democratizar tanto a produção quanto o consumo da cultura". A reforma na lei dos direitos autorais e o Creative Commons são em tese democratizantes, no sentido de que garantiriam que a cultura chegaria a mais pessoas. Democratizar está sendo mais difícil do que a senhora imaginou?
A democratização é possível sempre, mas ela tem de prever também o pagamento àqueles que criam. Um autor de um livro que trabalha dez anos com pesquisa vive disso. O direito autoral é o salário dele.
A internet foi o paraíso para muita gente, já que o preço de um CD se tornou inacessível para muitos. Como fazer com que esse consumo continue sem prejuízo para os autores?
Essa é uma questão, sim, que tem de ser estudada nos próximos passos que vamos dar. Agora há pouco, vi um estudo no Canadá que sugere cobrança dos direitos de provedores. Estamos nesse impasse entre a proibição absoluta - que é quase impossível, já que as pessoas estão baixando - e uma liberação que não prevê o pagamento de direitos.
Maria Bethânia teve a aprovação do Ministério da Cultura para captar via Lei Rouanet R$ 1,3 milhão para criar um blog de poesia. Qual a opinião da senhora sobre isso?
Isso foi uma tempestade em copo d"água. Projetos assim são aprovados mensalmente. A lei, que tem também modificação pedida no Congresso, prevê essa possibilidade. Não cabe a mim analisar ou interferir em uma questão que é julgada por uma comissão, que antes passa por pareceristas que analisam os preços e se o projeto é cultural ou não. E o mérito não é de qualidade, mas se é cultural ou não é cultural. Se os preços foram aprovados, está ok.
Ninguém contesta que o projeto de Bethânia seja legal, mas esse dinheiro não deveria ser garantido a artistas com menos recursos?
Olha, isso tudo está sendo revisto nessa reforma da lei que está no Congresso. Queremos favorecer mais o Fundo Nacional de Cultura, que poderá facilitar essa divisão melhor e que atenderia aos produtores que normalmente não atraem o patrocínio das empresas privadas. As empresas querem associar seus nomes a artistas consagrados, faz parte das leis de mercado.
E assim os departamentos de marketing acabam definindo a política cultural do País.
Sim, isso. A atual Lei Rouanet tem esse viés, que era necessário ser equilibrado. Chega a ser perigosa porque quase que exclusivamente se faz atividade cultural no País através da Lei Rouanet. Passou a ser imperiosa. Quando falamos da necessidade da cultura ser autossustentável, vejo como a Lei Rouanet foi prejudicial. Qualquer evento que se faz começa a ficar um megaevento e a ter custos mais altos. E para os artistas se inserirem nisso, precisam ter o nome forte. Agora, uma atividade mais experimental, nova, que não estiver no gosto do mercado, vai ter uma difícil aceitação. A Lei Rouanet viciou o mercado a trabalhar só através dela.
A senhora, como cantora, tentou emplacar projetos pela Lei Rouanet?
Eu não. Bem, até vi em um jornal que houve um proponente de um projeto meu que não foi aprovado, também porque a Lei Rouanet tem uma série de trâmites complicados. Acho que isso foi no período em que eu estava com o projeto de um disco e aí depois consegui trabalhá-lo de outras formas. Foi um projeto para ser aprovado, era um disco meu, sim, que depois acabei fazendo.
O grande público, alheio a Creative Commons, Lei Rouanet, direitos autorais, percebe que entra e sai ministério e uma coisa não muda: cinema, shows e teatro são cada vez mais caros. Como se muda isso?
Mas aí você está falando dos grandes, né? A Cinemateca, por exemplo, tem um acervo fantástico que distribui filmes para os pontos de cultura (centros de cultura nas periferias), os cineclubes estão crescendo. Você está falando das grandes estrelas.
Foi da senhora ou do Planalto a decisão de desistir da contratação do sociólogo Emir Sader para a Casa Rui Barbosa? (Em entrevista, Emir se referiu à ministra como "meio autista")?
Não, eu agi. Levei, conversei com o Palácio, sim, mas deixei claro que a decisão era minha, cabia a mim.
A senhora fala muito dos pontos de cultura, mas a situação deles é caótica, o dinheiro de alguns nunca chegou...
Já tive encontro com os representantes dos pontos. É assustador, porque são trabalhos em comunidades carentes. O princípio dos pontos é maravilhoso. O governo vai à comunidade e reconhece um trabalho cultural que já está sendo desenvolvido. Fazemos um trabalho para auxiliá-los, ajudamos a se equiparem melhor. Agora, alguns estão sem receber há algum tempo.
Não chegou o dinheiro de 2010.
Há outros que estão sem receber desde 2008. Alguns com problemas com documentação, mas há uma parte legal. E tem nosso orçamento que está bastante restrito, não só da Cultura, mas houve um corte grande.
Esse dinheiro chega este ano?
Já está sendo liberado. Vamos quitar com eles essa dívida.
Como a senhora, uma artista de formação e berço, chega para fazer política em Brasília?
Eu tive várias etapas da minha vida em que já passei por algumas experiências como esta. Estive envolvida na política pública em São Paulo.
Sim, mas Brasília é diferente. A senhora não sente dificuldades no jogo político?
Olha, em Osasco era um microcosmo disso, eu sentia lá também a pressão da sociedade, dos artistas, do executivo querendo fazer uma coisa mega. Eu sei que vou incomodar, você não pode atender a gregos e troianos. Agora, o fato de ser mulher ou ter um jeito delicado no falar não quer dizer que eu seja fraca ou insegura. Não sou nem um pouco insegura.
A senhora divide assuntos com seu irmão, Chico Buarque?
Eu acho que tudo o que ele não quer é que eu fique falando dos problemas do ministério (risos).
O Chico não queria que a senhora aceitasse o convite para ministra, certo?
Ele ficou assustado não por ele. Aliás, não só ele. Somos sete irmãos, todos ficaram assustados porque sabiam que o jogo era violento. E confesso que é mais violento do que eu imaginava. Porque esses movimentos organizados agiram com uma agressividade muito grande. E estão agindo ainda.
A senhora tem amigos na cúpula da música brasileira. Como ministra, está disposta a comprar briga com eles?
Eu acho que eles não vão brigar comigo, não. Como amigos, eu não os perco.
QUEM É
ANA DE HOLLANDA
CANTORA E COMPOSITORA
Nascida em São Paulo, em 1948, estreou musicalmente em 1964, no palco do Teatro do Colégio Rio Branco, no show Primeira Audição, integrando o grupo vocal Chico Buarque e As Quatro Mais. Já lançou quatro discos.









O galo de ouro Eder Jofre, uma lenda de 75 anos

O galo de ouro Eder Jofre, uma lenda de 75 anos
O bicampeão mundial de boxe, Eder Jofre, que completa 75 anos hoje, dia 26/03/2011.
Há 35 anos longe dos ringues, maior boxeador do Brasil de todos os tempos aumenta cada vez mais seu prestígio internacional no mundo da nobre arte
26 de março de 2011
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Wilson Baldini Jr. - O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - Eder Jofre festeja hoje 75 anos. Há 35 encerrou a vitoriosa carreira, mas permanece com um prestígio inabalável no mundo do boxe. Apontado como o maior peso galo da história da nobre arte - ganhou também o cinturão dos penas - o eterno Galo de Ouro, assim como acontece com outros esportistas nacionais, como Maria Esther Bueno e Adhemar Ferreira da Silva, goza de maior fama no exterior. "Eder tinha tudo que um grande lutador deve possuir. Para coroar o pacote, ele também tinha um queixo de ferro e de resistência, a exemplo de Jake LaMotta e Carmen Basilio", escreve o Cyber Boxing Zone, site especializado. "Talvez a qualidade mais impressionante tenha sido a capacidade de adaptação. Jofre era um lutador muito inteligente, que poderia mudar seu estilo para se ajustar a qualquer tipo de adversário. Ele poderia ser brigador, clássico... O cara era uma obra de arte."

Para mostrar que o comentário do site sobre o pugilista brasileiro não é exagerado, pode-se lembrar que Sugar Ray Robinson, apontado em quase todas as listas como o maior boxeador de todos os tempos, fez questão de posar ao lado de Eder, em 1960, antes de o lutador nacional enfrentar o mexicano Eloy Sanchez, quando ganhou o primeiro título mundial, em Los Angeles.

O jornalista norte-americano Ted Sares tem outra definição para o pugilista brasileiro. "Com um poder de soco em ambas as mãos, Jofre também tinha grandes habilidades técnicas e reflexos, ao melhor estilo Sugar Ray Robinson", analisa. "Ele tinha o gancho e o direito em linha reta; um inferno. Ele tinha tudo. Um perfurador de corpos."

Com tanto reconhecimento nos Estados Unidos, Eder entrou para o Hall da Fama do boxe em 1992. "A maioria dos fãs norte-americanos não tiveram a oportunidade de vê-lo em ação, mas nos anos 60 Eder Jofre foi considerado o melhor lutador libra por libra em todo o mundo", afirma Ed Brophy, diretor executivo do Hall da Fama.
Em livrarias de Nova York é possível comprar pôsteres do ex-pugilista por US$ 30,00 (R$ 51,00) ou camisetas com o rosto do campeão por US$ 40,00 (R$ 68,00). Algo impensável em São Paulo, onde nasceu na Rua do Seminário e passou a infância no Parque Peruche. "Eder Jofre só não é maior por causa da falta de imagens de seus combates", diz o escritor Thomas Hauser, que escreveu, entre muitas outras obras, biografias de Muhammad Ali. "Jofre foi um dos maiores de todos os tempos."

A lendária revista The Ring classificou Eder como o 9.º melhor de todos os tempos. Dan Cuoco, diretor da International Boxing Research Organization (Organização Internacional de Pesquisa de Boxe), vai além. "Vi muitas lutas dele e posso dizer, sem medo de errar, que Eder Jofre foi o melhor boxeador que nasceu abaixo do Equador."

O respeito por Eder vem também até do único adversário a vencê-lo em 20 anos de carreira. "Foi o maior adversário da minha carreira. Fiquei em pânico quando descobri que iria lutar com ele. Era muito resistente e um grande pegador", afirma o japonês Masahiko Fightning Harada, que bateu o brasileiro duas vezes. Em 1965 e 1966, ambas no Japão. No total, Eder lutou 81 vezes, com 75 vitórias (53 nocautes) e 4 empates.

Eder também se transformou em ídolo de lendas do boxe. "Quando penso em Brasil, penso em Eder Jofre. Assisti a muitos teipes de suas lutas e gostava do seu estilo agressivo. Foi um grande campeão", diz Mike Tyson, ex-campeão mundial dos pesados.
O mexicano Carlos Zarate, outro grande campeão dos galos, mas nos anos 70, também enumera elogios ao brasileiro. "Gostaria muito de ter lutado contra Eder. Fomos grandes lutadores, mas melhor assim. Um poderia perder e poderia ter sido eu", disse o pugilista, que ganhou 63 vezes por nocaute em 66 vitórias.
O também mexicano José Sulaymán, presidente do Conselho Mundial de Boxe, prevê. "Não acredito que o Brasil tenha outro Eder Jofre. Ele parou de lutar há mais de três décadas e quem gosta de boxe sabe quem é Eder Jofre. Ainda se fala muito dele. Vocês (brasileiros) devem se orgulhar dele tanto quanto nós nos orgulhamos."

Apesar do peso da idade, Eder segue se exercitando, mantém bom reflexo e continua com um forte soco. "75 anos! Puxa vida! Passou rápido. Mas não posso me queixar. Deus foi bom comigo", agradece o Galo de Ouro.


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Fantasmas poderosos

Fantasmas poderosos
Nenhum ‘ex’ dorme em paz depois de ter entrado em contato com os prazeres do poder
Marco Aurélio Nogueira

Fantasmas e pesadelos costumam atormentar todos os que tiveram poder um dia. O universo dos "ex" é heterogêneo, mas nenhum deles dorme inteiramente em paz depois de ter entrado em contato com os prazeres que integram o cotidiano de um poderoso. Mesmo suas agruras e aborrecimentos são de um tipo especial. Viciam, causam dependência.
A maldição não perdoa ninguém, ainda que nem todos reajam do mesmo modo. Há os que sofrem em público e os que se recolhem, os discretos e os escandalosos, os que retomam a vida de antes e seguem em frente e os que não se conformam e não sabem o que fazer. Quanto mais alto o grau de poder, maior o problema. Quem já foi presidente da República tem mais dificuldade para assimilar a perda súbita ou anunciada de poder do que um chefe de seção desalojado do cargo.
O filósofo inglês Thomas Hobbes escreveu no século 17 que a tendência geral dos humanos era "um perpétuo e irrequieto desejo de poder, que cessa apenas com a morte". Segundo ele, isso acontecia não porque os homens buscassem um prazer sempre mais intenso, mas porque intuíam que a conservação e a ampliação constante do poder eram essenciais para que mantivessem o que possuíam. Maquiavel, na Itália, se inquietava diante da dificuldade para "determinar com clareza que espécie de homem é mais nociva numa república, a dos que desejam adquirir o que não possuem ou a dos que só querem conservar as vantagens já alcançadas". Não economizaria palavras: "A sede de poder é tão forte quanto a sede de vingança, se não for mais forte ainda". Idêntica preocupação teria Max Weber, que dizia que quem mexe com o poder faz um "pacto com potências diabólicas" e vai descobrindo que o bem e o certo nem sempre têm significado unívoco. O poder tem razões que a razão desconhece.
Alguém que deixa o poder defronta-se antes de tudo com o fantasma daquilo que perde: os rituais, a vida distinta, os mimos e mesuras dos subordinados, o conforto do palácio. Precisa se acostumar com os ruídos alheios e esquecer o som da própria voz. Há quem diga que sente certo alívio ao voltar ao anonimato e se libertar da agenda carregada, das liturgias cansativas, do excesso de exposição. Mas a ausência disso pode se assemelhar a uma crise de abstinência, que termina por levar o ex-poderoso à busca inglória de um lugar ao sol semelhante ao que desfrutava nos dias de fausto.Talvez para compensar tais dissabores, mas também para dignificar personagens que tiveram um papel na história, a República brasileira concede regalias vitalícias aos ex-presidentes: automóveis, funcionários e homenagens, além dos salários. Algo semelhante ocorre nos Estados Unidos. Uma vez presidente, sempre presidente.
Um fantasma mais assustador é saber o que fazer com as longas horas do dia, dar rumo à vida, retomar a atividade anterior ou iniciar novo percurso. O esforço para recuperar o que ficou para trás quase sempre é em vão. Muito tempo se passou, novos hábitos se cristalizaram, carreiras profissionais foram interrompidas. Aí mora o desejo de permanecer ativo na mesma área em que obteve fama e prestígio, falando e agindo como se ainda fosse o mandatário. É instigado a analisar falas e estilo de quem está no lugar que um dia foi seu. Chovem-lhe oportunidades para que atue como sombra ou alter ego, alguém que pode ser conselheiro, ponderar, sugerir, auxiliar. Ex-presidentes costumam valer muito no mercado das palestras e conferências, por exemplo. Precisam se esforçar para não cair em tentação.
Nesse ponto, o ex-poderoso depara-se com seu pior pesadelo: o de sair perdendo ao ser comparado com o sucessor. As comparações são inevitáveis. Inimigos as incentivam, rasgam elogios ao rei posto para despertar o ciúme do rei morto e intrigar os dois.
Não é, portanto, acidental que o ex-presidente Lula esteja repetindo que "o sucesso da Dilma é o meu sucesso; seu fracasso é o meu fracasso". Ele não pode correr o risco de ser visto como estando a ofuscar sua sucessora, nem deixar que sugiram que a nova presidente o supera em algum quesito. Tem razão em reclamar da malandragem de seus adversários, que, depois de terem passado anos dizendo que ele dava continuidade ao governo FHC, agora não param de falar que a gestão Dilma - carne de sua carne - está rompendo com os oito anos da sua Presidência. Mas também é verdade que ele, ao fazer isso, procura se aproximar da imagem positiva que Dilma possa estar obtendo junto à opinião pública. Não se trata só de mágoa, há muito cálculo no gesto.
Amado e odiado indistintamente, o poder perturba, corrompe e alucina. Reprime, castiga e prejudica, mas também acalenta, protege e beneficia. Costuma ser utilizado para conservar e para transformar. É instrumento e objeto de desejo, encargo e meio de vida. Sua "face demoníaca" não perdoa os que com ela convivem, sejam eles presidentes da República, governadores de Estado ou CEOs de uma multinacional. O poder sobe à cabeça, cega, embriaga. Pode ser letal.
MARCO AURÉLIO NOGUEIRA É PROFESSOR DE TEORIA POLÍTICA DA UNESP. AUTOR DE O ENCONTRO DE JOAQUIM NABUCO COM A POLÍTICA (PAZ E TERRA)




sábado, 26 de março de 2011

Portugal teria a ganhar em tornar-se uma província do Brasil

Portugal teria a ganhar em tornar-se uma província do Brasil
(26/03/2011)
Colunistas do Financial Times lançam uma proposta provocatória para resolver a crise de dívida: que Portugal seja anexado pelo Brasil. A imprensa britânica não poupa na ironia para apontar saídas para a crise de dívida que Portugal atravessa. A equipa de colunistas do Lex do Financial Times diz que Portugal podia tornar-se uma província do Brasil."Aqui vai uma maneira ‘out-of-the-box' para lidar com o problema: anexação pelo Brasil (uma década de 4% de crescimento anual do PIB, muito mais elevado recentemente). Portugal seria uma grande província, mas longe de ser dominante: 5% da população e 10% do PIB". E falam das vantagens, apesar da perda de ‘status'. "A antiga colónia tem algo a oferecer, mesmo para além da diminuição dos ‘spreads' de crédito e, proporcionalmente, défices e contas correntes governamentais muito mais baixos. O Brasil é um dos BRIC, o centro emergente do poder mundial. Isto soa melhor lar que uma cansada e velha União Europeia", escreve o FT, numa alusão aos avanços e recuos do Velho Continente em lidar com a crise de dívida soberana. Além disso referem que a União Européia considera Portugal problemático: "Sem governo, elevada resistência à austeridade e crónico desempenho económico".

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O fim da reprovação

- O Estado de S.Paulo
Depois de intenso debate travado entre 2009 e 2010, inclusive com a realização de audiências públicas em São Paulo, Salvador e Distrito Federal, o Conselho Nacional de Educação tomou a decisão de recomendar "fortemente" a todas escolas públicas, privadas e confessionais a substituição do sistema seriado - que permite a reprovação em todas as séries do ensino fundamental - por um "ciclo de alfabetização e letramento", em que os alunos são submetidos ao regime de progressão continuada, durante os três primeiros anos - ou seja, no período em que aprendem a ler e a escrever.
Para o CNE, o princípio da continuidade - especialmente na fase de alfabetização - traz mais benefícios para os alunos do que a chamada "cultura da reprovação". A medida, que não tem caráter de lei e é objeto de acirrada polêmica entre os pedagogos, foi homologada no final do governo Lula pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Com isso, os diretores de todas as escolas do País ganharam liberdade para decidir se continuarão reprovando alunos nos três primeiros anos do ensino fundamental ou se adotarão a recomendação do CNE.
O ensino fundamental tem 31 milhões de alunos estudando em 152 mil escolas, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Desse total, aproximadamente dez milhões estão matriculados nos três primeiros anos desse ciclo. Em 2009, a taxa de reprovação desses dez milhões de alunos foi de 5,1%. O índice é considerado alto pelos especialistas em pedagogia.
"Isso mostra que, de cada cem crianças, cinco ainda são reprovadas logo que ingressam na escola. As pesquisas apontam que, se o aluno é reprovado nessa fase, dificilmente terá sucesso. A recomendação do CNE é para garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos" - diz a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda. "A reprovação no ensino fundamental devia ser zero", afirma o professor da USP Ocimar Alavarsi, que coordenou a rede municipal de São Paulo, entre 1995 e 2008.
Vários professores também entendem que, na faixa etária dos 6 aos 8 anos, as crianças têm ritmos diferentes de aprendizagem e que reprovação logo no início do curso compromete o rendimento da alfabetização - o que desestimula as crianças, levando-as a abandonar a escola. No Norte e Nordeste, as regiões mais pobres do País, as altas taxas de evasão escolar têm sido atribuídas aos altos índices de reprovação nos anos iniciais do ensino básico. Segundo os defensores das diretrizes recomendadas pelo CNE, com a adoção do regime de progressão continuada nas três primeiras séries os professores podem avaliar cada criança e os alunos só podem ser reprovados no final do terceiro ano.
Para os críticos dessa política, a substituição da reprovação pelo regime da progressão continuada seria uma estratégia eficaz se as classes fossem pequenas, se os professores estivessem motivados e as escolas contassem com projetos pedagógicos realistas. "Na prática, porém, as escolas têm salas superlotadas, as aulas de reforço são dadas por voluntários, os professores têm pouquíssimo tempo para planejar aulas e as condições de trabalho são ruins. A sensação é que a proposta (do CNE) não foi feita por quem conhece o dia a dia das escolas" - diz Susana Gutierrez, coordenadora do Sindicato Estadual de Profissionais da Educação do Rio de Janeiro. Sem reformar o currículo e investir nos professores, "as crianças que não aprendem com o sistema seriado também não aprenderão no Ciclo de Alfabetização e Letramento", afirma Cláudia Fernandes, coordenadora do mestrado em educação da UniRio.
Aperfeiçoar o ensino fundamental é decisivo para que o país possa promover a revolução educacional. No entanto, a simples adoção da progressão continuada, nos termos em que foi proposta pelo CNE e pelo MEC - sem expansão da rede escolar e sem a modernização dos currículos - não garante melhor alfabetização nem aumento da qualidade da educação.







Conselho quer fim da reprovação de crianças até 8 anos

AE - Agência Estado
Novas diretrizes curriculares aprovadas pelo Conselho Nacional da Educação (CNE) e homologadas pelo Ministério da Educação (MEC) recomendam que os três primeiros anos do ensino fundamental, que abrangem crianças de 6 a 8 anos, sejam feitos em um ciclo, sem reprovação. As regras foram publicadas em 14 de dezembro de 2010 no Diário Oficial.
Discutida ao longo dos últimos anos, a proposta já é colocada em prática por algumas cidades e Estados, como Minas Gerais e São Paulo. "Estudos mostram que essa iniciativa pode trazer ótimos resultados", afirma a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda. O principal deles seria evitar que crianças que apresentam um baixo desempenho no primeiro ano se sintam desestimuladas. "A experiência mostra que as maiores taxas de abandono escolar ocorrem entre alunos que repetiram nos primeiros anos de escola", completa.
Para críticos da proposta, a medida seria uma forma de mascarar o problema de má qualidade de ensino. O relator do processo no CNE, o conselheiro Cesar Callegari, diz que o propósito da medida é proteger o estudante. "A todas as crianças é dado o direito de estar alfabetizada aos 8 anos. Muitos alunos apresentam diferenças no ritmo do aprendizado, mas, até o 3.º ano, todos têm condições de ler e escrever", diz.
Em uma escola de qualidade ruim, o problema poderia ser revelado antes do terceiro ano. "Não é para o aluno ficar solto. A ideia é que seja feita uma série de avaliações. Qualquer problema no desenvolvimento do aluno poderia ser captado", afirma Callegari. De acordo com o conselheiro, o MEC está definindo quais são as expectativas de aprendizagem para cada etapa, para que em cada ciclo o aluno seja acompanhado.
"As avaliações deverão ser feitas sobretudo em procedimentos de observação, registros de atividades", diz Maria do Pilar. A secretária de Educação Básica argumenta ainda que a avaliação da escola não é feita por meio dos índices de repetência.
As escolas têm autonomia para adotar ou não as diretrizes publicadas hoje. Maria do Pilar salienta que mesmo as escolas que preferirem manter o regime seriado serão recomendadas a manter os três anos num bloco pedagógico. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.







João Havelange

 
Fabio Motta/AE

Bruno Lousada - O Estado de S.Paulo
Presidente de honra da Fifa e membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) desde 1963, João Havelange, de 94 anos, admitiu ao Estado que vai tentar uma manobra para manter o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, na Assembleia Geral do COI, que tem 108 membros. Nuzman está com 68 anos e a idade limite é de 70. Havelange pretende prorrogar a permanência de qualquer dirigente no COI até os 78 anos. Assim, Nuzman teria acesso livre no comitê internacional até os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.
Fabio Motta/AEEx-presidente da Fifa, João Havelange reconheceu que o Brasil ainda precisa de muito para virar potência olímpica
"Ele sendo da Assembleia, tendo os Jogos Olímpicos aqui, é importantíssimo", disse Havelange, em seu escritório, no centro do Rio. Na quarta-feira, num evento em Ipanema, zona sul da cidade, será lançado o livro João Havelange - O dirigente esportivo do século XX, pelo selo COB/Cultural. "Foi uma surpresa e uma gentileza do Nuzman", admitiu.
Como recebe a homenagem?
Eu faltaria com a verdade se dissesse que sabia que o livro estava sendo feito. Foi uma surpresa e uma gentileza, um sentimento de amizade do Nuzman comigo. Porque foi ele que mandou preparar. Portanto, sou gratíssimo a ele. Em segundo, rever o passado, principalmente meus pais, meus irmãos, enfim, a minha juventude no Fluminense, foi uma felicidade. O livro me trouxe belas recordações.
O senhor alcançou muito poder e prestígio no esporte. Ainda sonha em realizar algo?
Há um sonho que gostaria de realizar e não consegui porque meu mandato terminou. Era fazer um jogo de futebol das seleções de Israel contra a Palestina. Minha vontade é fazer o jogo em Nova York, onde está a ONU e convidar todos os chefes de estado. Na preliminar, a seleção brasileira enfrentaria os Estados Unidos. Outro desejo é fazer um jogo em Seul e outro em Pohang entre o combinado da Coreia do Sul e Coreia do Norte contra o Brasil.
Como vê o trabalho atual do Brasil para sediar o Mundial de 2014? Não deveríamos ser mais rápidos?
Eu não devo me meter nisso, mas, o senhor me perdoe, a Fifa só faz (a Copa) depois de ter entendimento com o governo. O governo é quem tem de fazer a segurança, rever os aeroportos e verificar os estádios. A CBF entra com sua equipe e sua organização. Pergunto: mexeram nos aeroportos? Não. Mexeram nas estradas? Não.
A construção de estádios não está mais lenta do que o normal?
Eu acho que sim, mas o que posso fazer? O governo é quem tem de fazer, o senhor me perdoe, porque estamos em 2011 e a Copa será em 2014. Sei que, atualmente, a parte técnica de uma construção é muito valiosa e rápida. Mas tem um limite também. Não é verdade? Certa vez, disse que o Maracanã deveria ser implodido e fui muito maltratado.
O senhor continua a favor de um outro estádio no Rio?
Não faria ali. Se quiser aumentar para um lado, tem a estrada de ferro. Não pode. Do outro lado, passa um rio. Não pode. Se quiser ir para trás, não pode. Tem uma universidade. O Rio deve ter outro lugar com melhor acesso.
Não há uma preocupação de os estádios da Copa e as instalações da Olimpíada virarem elefantes brancos?
O governo é que tem de ficar preocupado e oferecer ajuda. Por que nos outros países funciona? O que temos de fazer é a nossa gente mudar a mentalidade. Em vez de criticar, usar e dizer que é bom.
Não faltam políticas públicas para estimular o esporte no País?
Quando os EUA montam a sua delegação e partem para os Jogos Olímpicos, o governo já investiu muito dinheiro para a preparação da equipe, enfim para tudo. Se o senhor falar nisso aqui, vai ser uma loucura. Gastar dinheiro é uma necessidade. Para isso, a gente paga imposto, é para reaplicar na massa. Olimpíada e Copa são para a massa.
O Brasil ainda tem muito a caminhar para virar uma potência olímpica?
Evidentemente. Não é fácil. Eu posso dizer que o Brasil está encantado com o Nuzman. O que esse moço trabalha para isso.
A pressão por vitórias na Copa e na Olimpíada vai ser enorme.
Nós só pensamos nisso. Não pensamos no espetáculo. Devemos pensar no espetáculo, no bem que é para a nação. Mas se não ganhar... Isso faz parte do nosso sentimento.
O estouro no orçamento do Pan-Americano de 2007 pode ocorrer novamente na Olimpíada?
Não é isso, meu filho. Vamos esquecer o Pan. O que passou, passou. O dinheiro gasto foi bem gasto.
Mas houve estouro.
Está bem. Houve um erro. Vamos esquecer e recomeçar de maneira diferente.
Muitos equipamentos do Pan caíram em desuso depois dos Jogos e nem sequer foram utilizados regularmente por crianças e adolescentes.
Quem é o culpado? A municipalidade e o Estado. Essa é a verdade. Isso pertence a eles. O governo é que deveria fazer (esse trabalho), assim como a Secretaria de Esporte do município e do Estado. Se tem uma mocidade, por que não oferecer a ela? Está lá para ser utilizado.
O senhor acha que, a médio ou longo prazo, o Brasil terá outro representante no comando da Fifa? Acredita que Ricardo Teixeira está apto a seguir seus passos?
Está apto. É culto, correto e dedicado. Na Fifa, ele é muito apreciado e o futebol do Brasil tem se apresentado com dignidade e valor. O (atual presidente da Fifa, Joseph) Blatter vai ser reeleito em 2011, mas em 2015, se Deus quiser, vai ser o Ricardo. Se eu tiver vivo e com forças, vou ajudá-lo..
O senhor é a favor de renovação de poder no esporte, tanto no COB quanto na CBF?
Renova. Recomeça tudo do zero. O Ricardo (Teixeira) conhece todo mundo na Fifa. Bota um lá. Vai feito bobo. Se puder, ele vai preparando um (substituto). No Comitê Olímpico Internacional (COI), quando (o dirigente) faz 70 anos, tem de sair, porque é a idade-limite. Vou conversar com ele (Jacques Rogge, presidente do COI), e viajarei para o COI, na Suíça, em maio. Em julho, tem assembleia em Durban, na África do Sul. Se eu não passar para 78 (a idade-limite), daqui a dois anos o Nuzman faz 70 e ele é membro da Assembleia Geral. Se o Rogge permitir essa mudança, o Nuzman ganha 10 anos lá. É uma necessidade para o Brasil. Ele sendo da Assembleia, tendo os Jogos Olímpicos aqui, é importantíssimo.
Por quê?
Eu tenho vários defeitos, mas não sou tão burro como você imagina. São 108 membros na assembleia, entre eles 58 são europeus. Quem é que ganha? Para eu ganhar alguma coisa, o que devo ter feito? Habilidade, gentilezas e contatos. Nessa reunião, eu trabalho com meus amigos para passar (mudar o estatuto). Porque ali você toca na sensibilidade de cada um. Por que aqueles que vão sair, se puderem ficar mais oito anos, você acha que vão ser contra? Trato o Nuzman como um irmão mais novo e é lógico que ele quer (ficar no comitê internacional). Além de ser um poder, ele tem uma facilidade para administrar 2016. Ele é da casa, não é? Se tiver fora, quando for ao COI, terá de pedir isso e aquilo. Se tiver o poder, entra sem problema. Completamente diferente.
Como o senhor vê a Fifa atual e o recente escândalo envolvendo as acusações de venda de votos nas eleições das sedes de 2018 e 2022?
Quem é que fez essa denúncia? Sempre os ingleses. Sabe por quê? Estão fora. Sabe quantos votos eles tiveram? Dois. Então é melhor dizer que você é ladrão e eu sou também. Se ganhasse, o senhor seria uma maravilha, tá bom? É isso, ora. Coisa mais fácil é uma blasfêmia, é maltratar os outros. /COLABOROU VALÉRIA ZUKERAN







terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O GATO ADVOGADO

Trilussa

(Tradução de Paulo Duarte)


A coisa foi assim: a Tartaruga,

saindo em busca de um lugar seguro

para dormir tranquilamente, estuga

o passo, tropeça e cai ao pé do muro.

O pior de tudo é que, ao escorregar,

ficou de casca e pernas para o ar!






A uma Cadela que se achava ao lado

pediu ajuda, sob a condição

de regalá-la com um frango assado

que ela vira na casa do patrão.

Aceita a condição, de boa fé,

a Cadela ajudou-a a pôr-se em pé.






- E o frango? Reclamou depois. - Hein? Qual?

- O frango do contrato! - Que contrato?

- Ah! Não se lembra agora? É natural!

Mas eu vou me queixar ao velho Gato,

contarei tudo tim-tim por tim-tim,

e veremos se a coisa fica assim!






O Gato, que era um ótimo advogado,

inteira-se da estória e fala: - Penso

que se trata de um caso delicado;

não é questão apenas de bom senso

e, em certas coisas, como diz Horácio,

"Promissio boni viri est obligatio".






Porém vejamos, antes que me exprima,

se, posta a Tartaruga ao mesmo jeito

antigo, isto é, de ventre para cima,

sustenta ou não o compromisso feito;

veremos se se trata de moral

só válida em decúbito dorsal.






Assim foi feito. E a Tartaruga, agora,

posta diante do fato mais concreto,

diz, com minúcias, onde, há meia hora,

se achava o frango. E o Gato circunspecto:

- Para confirmação do depoimento,

converto em diligência o julgamento...






Regressa o Gato ao fim do dia: - Os nossos

argumentos valeram, diz radiante.

- Bravo! aplaude a Cadela. E o frango? - Os ossos

já se acham ao dispor da querelante,

quanto à carne, conforme texto expresso,

esta ficou nas custas do processo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O verdadeiro salto alto do futebol

Finalmente descobriram o verdadeiro salto alto do futebol...

domingo, 3 de outubro de 2010

TENSO

DEFINIÇÃO DA PALAVRA TENSO

    by Jayme

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Primeiros sorvetes do Brasil

Em 1834, chegava ao Rio o primeiro carregamento de gêlo, vindo dos EUA. Envolvido por serragem, foi enterrado profundamente, sendo conservado por cinco meses. Luigi Bassini, italiano radicado, utilizou-o e passou a fabricar os primeiros sorvetes do Brasil, causando sensação e tornando notório o trecho da rua Direita (Primeiro de Março) onde ficava sua casa, entre Ouvidor e o Beco dos Barbeiros.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Maior turbina movida a marés do mundo testada na Escócia

A maior turbina movida a energia de marés do mundo será testada na Escócia.Criada pela empresa Atlantis Resources, a turbina AK-1000 será instalada para testes no Centro Europeu de Energia Marinha em Orkney, na Escócia.
Segundo a empresa, a turbina subaquática foi desenvolvida para suportar a pressão das mais fortes correntes marinhas.
Com hélices de 18 m de diâmetro, mais de 22 m de altura e 1,3 mil toneladas, pode gerar até 1 MW de electricidade, o suficiente para abastecer cerca de mil casas.
A empresa também afirma que por causa da sua baixa velocidade, a turbina não causará danos à vida marinha.
Se passar nos testes, a turbina poderá ser a primeira de muitas a serem instaladas na costa da Escócia.

sábado, 21 de agosto de 2010

Índice onomástico

O índice do tipo onomástico é uma lista de nomes de pessoas, entidades ou autoridades que aparece na forma de elemento pós-textual em publicações diversas e distintas, sempre com a indicação da página em que estão esse nomes. Ao se elaborar um índice onomástico na obra é mais adequado fazê-lo numa lista separada do Índice de termos.É um elemento que auxilia o leitor, pois propicia que informações sobre as pessoas citadas na obra sejam encontradas com mais facilidade. Em biografias e livros de História, por exemplo, é um expediente bastante utilizado, especialmente por se tratar de textos que fazem menção a várias personalidades.
Em tempo: o adjetivo onomástico vem do grego onomastikós, e significa aquilo que é “relativo aos nomes próprios” (Aurélio, 2005, informação eletrônica).

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

E.T.

Portaria 551/10 dispõe sobre o registro e o trâmite de assuntos relacionados a "objetos voadores não identificados"
Foi publicada no Diário Oficial da União de ontem, 10/8, uma portaria assinada pelo Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito regulamentando como a Aeronáutica deve lidar com assuntos ligados a "objetos voadores não identificados" (Ovni) no espaço aéreo nacional.
_______________
PORTARIA N°- 551/GC3, DE 9 DE AGOSTO DE 2010
Dispõe sobre o registro e o trâmite de assuntos relacionados a "objetos voadores não identificados" no âmbito do Comando da Aeronáutica.
O COMANDANTE DA AERONÁUTICA, de conformidade com o previsto no inciso XIV do art. 23 da Estrutura Regimental do Comando da Aeronáutica, aprovada pelo Decreto nº 6.834, de 30 de abril de 2009, e considerando o que consta do Processo nº 67000.001974/2010-61, resolve:
Art. 1º As atividades do Comando da Aeronáutica (COMAER) relativas ao assunto "objetos voadores não identificados" (OVNI) restringem-se ao registro de ocorrências e ao seu trâmite para o Arquivo Nacional.
Art. 2º O Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), como órgão central do Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA), é a organização do COMAER responsável por receber e catalogar os registros referentes a OVNI relatados, em formulário próprio, por usuários dos serviços de controle de tráfego aéreo e encaminhá-los regularmente ao CENDOC.
Art. 3º O Centro de Documentação e Histórico da Aeronáutica (CENDOC) é a organização do COMAER responsável por copiar, encadernar, arquivar cópias dos registros encaminhados pelo COMDABRA e enviar, periodicamente, os originais ao Arquivo Nacional.
Art. 4º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 5º Revoga-se a Nota No C-002/MIN/ADM, de 13 de abril de 1978 e o Aviso No S-001/MIN, de 28 de fevereiro de 1989.
Ten.-Brig. do Ar JUNITI SAITO

domingo, 1 de agosto de 2010

APENAS TRÊS HOMENS ANDARAM SOBRE AS ÁGUAS



Três homens andaram sobre as águas em toda a história da Humanidade:










O primeiro foi Cristo.










O segundo foi Pedro.












O terceiro foi Ivangivaldo.








Ivangivaldo?












Quem é Ivangivaldo???












O cara da foto abaixo!