terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Tonico


Canhões no meio do caminho

Canhões no meio do caminho
Durante as obras de revitalização do Porto Maravilha, operários encontram dois canhões do século XVII que podem revelar uma nova história da região
Felipe Sáles
13/2/2012
Esta segunda-feira foi de muita vibração para arqueólogos e pesquisadores no Rio de Janeiro. Durante as obras de revitalização da Zona Portuária, operários encontraram dois canhões do século XVII que intrigam pesquisadores especializados no assunto.
As armas foram encontradas nesta manhã sob a Rua Sacadura Cabral, próximo ao Largo da Prainha e à Pedra do Sal. Especialista em armamento militar, o historiador Adler Homero Fonseca, pesquisador do Departamento de Patrimônio Material de Fiscalização do Iphan no Rio, esteve no local a convite dos arqueólogos que trabalham na obra. A equipe ainda não sabe a origem dos canhões, mas, segundo Adler, os equipamentos não se enquadram em nenhuma estrutura de fortificação da região – o que aumenta ainda mais o mistério, já que não há notícias de que havia um Forte na região do Porto.
“É uma estrutura muito exótica, muito antiga. Ainda não conseguimos identificar o período exato dos canhões, mas suspeitamos que seja do século XVII. Eles podem revelar que existiu na região uma estrutura de Forte até então desconhecida.
Foto Adler Homero
O Iphan ainda será acionado formalmente para estudar os equipamentos. A partir disso, um parecer prévio sobre os canhões fica pronto em até dois dias. A maior preocupação agora, porém, é manter a integridade da descoberta, já que se trata de uma das regiões mais movimentadas da cidade.

Samuel Langhorne Clemens, conhecido como Mark Twain

Samuel Langhorne Clemens, conhecido como Mark Twain (1835-1910), dois garotos, dois personagens principais do escritor, os meninos Tom Sawyer e Huckleberry Finn, protagonistas de aventuras que povoam a imaginação de jovens leitores de todo o mundo há mais de um século.
Mark Twain é considerado o pai da literatura norte americana. Seus livros serviram de referência e inspiração para obras culturais em todas as áreas, e Tom Sawyer (que emprestou o nome ao personagem de Lost) se tornou um verdadeiro símbolo do espírito da juventude. Conheça mais sobre o autor dos clássicos “O Príncipe e o Mendígo“, “Aventuras de Tom Sawyer’, e ”Aventuras de Huckleberry Finn”










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Tesouro malcheiroso

Tesouro malcheiroso



Para perfurar o primeiro poço de petróleo do país, os exploradores lutaram principalmente contra a burocracia


Em plena manhã de sábado, os baianos acordaram com as manchetes dos jornais anunciando: “Jorrou! Petróleo em Lobato!” O acontecimento pôs fim a uma grande expectativa que havia mobilizado o país, pois naquele janeiro de 1939 foi descoberto o petróleo nacional.
O fato ganhou ainda mais importância porque estava para começar outra guerra mundial, com grande risco de haver racionamento de combustível. As explorações haviam começado em 1931, quando o comerciante Oscar Cordeiro (1989-1970) e o engenheiro Manoel Inácio Bastos (1891-1940) foram averiguar notícias sobre um óleo malcheiroso em Lobato, na época um bairro afastado e pouco povoado de Salvador. Acreditando tratar-se de petróleo, não mediram esforços para perfurar um poço no local. Era o início da história do “óleo negro” na Bahia. Essas primeiras tentativas eram de caráter privado, com pouquíssimos recursos tecnológicos, bem diferentes da atual exploração do pré-sal, que conta com imenso aparato tecnológico e financeiro, com participação de capital privado e estatal.
Mas a busca pelo petróleo data de meados do século XIX, quando se procurava o carvão mineral, a principal fonte de calor que movia navios, trens e máquinas a vapor, símbolos da Revolução Industrial. Na Europa – e mais tarde também no Brasil –, o carvão fornecia o gás para os novos sistemas de iluminação. Com suas imensas jazidas, a Inglaterra detinha o controle do seu comércio mundial, mas também explorava o mundo em busca de outras reservas, como o petróleo.
Na Bahia, os primeiros indícios deste óleo foram encontrados nas explorações de carvão. As atividades mais antigas ocorreram em 1852, numa empreitada envolvendo o presidente da província, João Maurício Wanderley (1815-1889), comerciantes ingleses e baianos. Após dois anos de trabalho, as amostras foram enviadas ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro, que tinha entre suas funções avaliar todas as possíveis descobertas mineralógicas do país, indicando sua natureza geológica. Sobre a empreitada, o diretor do Museu, Frederico Leopoldo Burlamaqui, comentou na ocasião: “É admirável a impávida certesa que nutrem os empresários d´encontrar huma mina de carvão de pedra no lugar onde acharão o petróleo.”
Para a infelicidade dos exploradores e patrocinadores, não se tratava de carvão de pedra. As análises indicavam uma variedade de minerais combustíveis, entre os quais o petróleo. Com resultados negativos, a empreitada foi abandonada em 1859. Havia outros exploradores que também procuravam minerais na região, mas deixavam para trás suas aventuras por causa de resultados semelhantes. Ao que tudo indica, as informações acumuladas nesse primeiro momento influenciaram os descobridores de Lobato mais tarde.
A importância do petróleo como combustível ainda era pequena. No início do século XIX, mineiros nos Estados Unidos reclamavam que os poços de extração de sal estavam impregnados de um óleo malcheiroso que era utilizado basicamente para iluminação. Mais tarde, as explorações do coronel norte-americano Edwin Drake em 1859, na cidade de Tutisville, na Pensilvânia, representaram um importante marco na história do petróleo.
A partir do início do século XX, o petróleo se tornou o principal combustível da economia no mundo, superando o carvão mineral. Logo seus derivados foram usados para a expansão de uma invenção fundamental: os motores de explosão interna. Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a utilização dos primeiros aviões e carros movidos a derivados de petróleo em combate influenciou de alguma maneira no resultado a favor dos Aliados (EUA, Inglaterra e França). Além disso, o conflito provocou pela primeira vez o risco, em escala mundial, da escassez de petróleo, conscientizando governos e parte da sociedade sobre a importância de os países terem suas próprias reservas.
Mesmo depois da guerra, ao longo da década de 1920, a corrida internacional pelo petróleo se intensificou. No Brasil, o controle do fornecimento dos derivados estava com empresas como Esso, Texaco e Shell. Quando chegaram aqui, estavam interessadas em ampliar sua presença na descoberta de novas reservas.
Mas técnicos e deputados nacionalistas começaram a cobrar uma postura radical contra a presença de empresas estrangeiras no setor, em 1921, exigindo que o petróleo fosse tratado como uma questão nacional. A preocupação central era a dependência brasileira no fornecimento de combustíveis. Segundo os políticos, a legislação abria muito espaço para empresas privadas, nacionais ou estrangeiras, explorarem todo o setor. Por isso o Estado deveria garantir o controle daquela riqueza mineral.
O ministro da Agricultura, Ildefonso Simões Lopes (1866-1843), tomou partido na questão, participando da criação da Lei de Minas de 1921, que relativizava o poder privado sobre a exploração do petróleo. Em 1926, ele ainda trabalhou na revisão constitucional que colocou o setor petrolífero como item de segurança nacional, intransferível para estrangeiros. “Pela sua alta importância mundial, essa espécie de jazida requeria uma legislação especial. É chegado o momento de realizá-la com maior atenção”, declarou à época.
Na mesma ocasião, o órgão oficial responsável por pesquisas geológicas, o Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB), organizou um levantamento das potencialidades petrolíferas do país, especialmente no Sul e no Nordeste. Mas os resultados iniciais não foram muito animadores quanto à existência de reservas imediatas. Os técnicos insistiam em pesquisas na Bacia de Maraú, situada na Baía de Todos os Santos, e os estudos foram paralisados por falta de recursos.
A ideia de controlar o petróleo nacional predominou nos anos 1930, no primeiro governo de Getulio Vargas (1930-1937), de forma mais nacionalista e restritiva do produto. O Código de Minas, de 1934, determinava que somente empresas com acionistas brasileiros poderiam explorar o setor. Além disso, foi criado um novo órgão, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), responsável pela execução dos planos do governo para identificar novas reservas. Essa condução nacionalista se radicalizou após o golpe do Estado Novo (1937-1945), com a criação, em 1938, do Conselho Nacional de Petróleo. O órgão refletia a nova percepção do governo sobre o petróleo.
No entanto, as principais controvérsias sobre o petróleo brasileiro não vieram dos arranjos oficiais. Em Alagoas e São Paulo, o escritor e empresário Monteiro Lobato, envolvido com explorações particulares de petróleo, trazia a público outro debate: a descoberta de imensas reservas e a busca de apoio técnico junto ao governo federal. Mas, diante da postura defensiva do DNPM, partiu para graves acusações a Vargas, denunciando supostos interesses internacionais.
Na Bahia, as polêmicas estavam centradas no petróleo do bairro de Lobato. O engenheiro Manoel Inácio Bastos e o empreendedor Oscar Cordeiro registraram, juntos, a mina em cartório e criaram uma sociedade. Entusiasmados, solicitaram ao governo uma sonda e um técnico para auxiliar nos trabalhos, e enviaram suas amostras para uma análise oficial. Além de recusar o pedido, o DNPM solicitou novas amostras in natura, pois o material enviado parecia já ter sido manipulado.
A discussão ficou tensa, com acusações cada vez mais graves de incompetência e favorecimento a interesses estrangeiros. O órgão oficial se defendia afirmando que se baseava em critérios puramente técnicos: as amostras não indicavam as condições geológicas de petróleo no local. No final de 1934, enquanto Manoel Inácio Bastos se afastava para se dedicar a outras pesquisas, Oscar Cordeiro continuou sua luta na imprensa. As atenções sobre a Bahia iam crescendo, uma vez que as reservas de Monteiro Lobato não se confirmaram. E em 1936, renomados geólogos questionavam publicamente a interpretação oficial.
Diante da pressão, o DNPM deslocou uma sonda em agosto de 1937, perfurando o poço n° 153 em Lobato. No ano seguinte, Oscar Cordeiro trouxe, com a ajuda do governador, uma sonda mais potente. Finalmente, em janeiro de 1939, o petróleo jorrou na Bahia, diminuindo a ansiedade em relação à produção nacional. O primeiro campo descoberto no Brasil, mesmo economicamente inviável – a produção média em Lobato e em suas imediações estava abaixo do esperado –, abriu perspectivas sobre a existência de imensas jazidas em locais próximos. Pouco tempo depois, em 1941, na região de Candeias, eram perfurados, finalmente, os primeiros poços em escala comercial do país.
Desse modo, a riqueza do subsolo afastou parcialmente o Brasil dos males da guerra. Mas ninguém poderia imaginar que, meio século depois, petróleo e guerra se tornariam palavras quase sinônimas.
Daniel Rebouçasé coautor de História do Petróleo na Bahia (EPP, 2010).



domingo, 19 de fevereiro de 2012

Juca Paranhos: o barão bon-vivant

Juca Paranhos: o barão bon-vivant




Patrono da diplomacia brasileira, o Barão do Rio Branco - cujo centenário da morte é lembrado este ano - curtiu muito a vida até ter atuação fundamental na consolidação do território nacional

Alexandre Belmonte


6/2/2012

Corre o ano de 1862 e a boemia acadêmica está no seu apogeu: o Romantismo está em toda a parte. No quarto de uma república na esquina do Beco dos Cornos, em São Paulo, o futuro barão dorme com a cabeça apoiada num velho paletó, enfiado a socos numa fronha, após uma noite de algazarra. A luz é de velas, postas em gargalos de garrafa. Uma ruidosa comemoração acaba de acontecer.

Sim, estamos falando de José Maria da Silva Paranhos Junior, o barão do Rio Branco – ou Juca Paranhos, para os íntimos. Como lembra Marcio Tavares D’Amaral, em "O Barão do Rio Branco" (Editora Três, 1974), as bagunças aconteciam “a qualquer propósito ou sem propósito algum”. Nada que um banho frio não curasse: Juca costumava se banhar, nu em pelo, no rio Tamanduateí.

Saraus literários, serenatas noturnas com flauta, violão e cavaquinho, e um jovem pela primeira vez longe dos pais, numa cidade estranha. O futuro barão vivia numa república com outros jovens, que o definiam como um “colega agradável, sempre alegre, pronto para as festas e brincadeiras”. A cavalo, ia até a Penha, a Pinheiros e ao Ipiranga. Presença constante em teatros, circos, corridas de cavalo, bailes, e também em procissões e missas cantadas. Na livraria Garraux ou em alguma confeitaria, passava horas a conversar. Vai para o Recife, conclui o bacharelado e parte para a Europa, com um prêmio de loteria de 12 contos de réis nos bolsos!

• 'Uma vida perdida de boêmio'

Seus hábitos pareciam incomodar muita gente. Era vaidoso, usava cabelos longos, penteados para trás, e uma solene sobrecasaca. Gostava de vestir-se bem, e dizem que era elegante e polido, de uma beleza quase feminina. Luís Viana Filho, um de seus biógrafos, chega a dizer que “nada o deliciava mais do que a indiscrição de um decote, permitindo-lhe avançar o olhar sobre um belo colo”. Ainda no Colégio Pedro II, o futuro barão iniciava sua vida sentimental de mãos dadas com uma menina da sua idade – mas era ainda tão criança que seu pai, o visconde do Rio Branco, ia buscá-lo na saída da escola.

No Rio, o barão passava várias noites em teatros e cafés, e muitos diziam que levava “uma vida perdida de boêmio”. Almoçava às 3 da tarde e jantava de madrugada, na companhia das atrizes do Teatro Alcazar. É aí que, em 1872, apaixona-se pela atriz belga Marie Stevens. O primeiro filho do casal nasce um ano depois, em Paris, e Juca faz com que ela regresse prontamente ao Brasil. Somente após dois anos é que sua mãe aceita batizar o pequeno Raul, e mesmo assim por procuração.

Nascem mais filhos, e a princesa Isabel, valendo-se da ausência do pai, assina seu ato de nomeação de cônsul em Liverpool. Marie vai para Paris com as crianças, enquanto Juca se prepara para ir a Liverpool. Nesse ínterim, apaixona-se pela sobrinha do Duque de Caxias, Maria Bernardina, “um anjo de beleza” de apenas 15 anos. Vai para Liverpool e passa seu tempo entre seus afazeres na cidade inglesa e sua vida familiar em Paris. Escreve a um amigo italiano, em 1877, dizendo que a situação não vai bem com a “marechala”: não consegue romper seu casamento com Marie e desposar Maria Bernardina. “É muito difícil, muito doloroso para um pai não saber qual será o destino e o futuro dos seus filhos”, desabafa.