terça-feira, 29 de dezembro de 2015

TOQUE DE SILENCIO

Toque de Silêncio...Il Silenzio

Família Semmler

Família Semmler
Dando sequencia às publicações da série „Nós Contamos a Sua História“,  hoje um pouco da história da família Semmler, segundo relato enviado por José Carlos Semmler:
"O que sei sobre meu bisavô August Semmler é que ele nasceu em Berlim, no ano de 1840, e faleceu em Piracicaba-SP, no ano de 1906. Na Alemanha ele era fabricante de implementos agrícolas. Quando imigrou para o Brasil veio com sua esposa Emilia Artus e trouxe alguns filhos ainda crianças. Depois teve outros filhos no Brasil. Meu avô Rodolfo Semmler nasceu em Berlim, no ano de 1876 e faleceu no Brasil em 1942. Ele casou-se no Brasil com Maria Izabel Ferraz, de orígem portuguesa. Até hoje não foi possível saber o navio no qual eles vieram. Nas listas de desembarque não encontramos nenhum registro.
Aqui no Brasil eles adquiriram terras na região de Piracicaba-SP, onde foram cafeicultores até 1929, quando ocorreu a crise e a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, afetando os produtores brasileiros.
A maior dificuldade que meu avô e todos os imigrantes alemães passaram aqui no Brasil foi na 2ª guerra mundial, quando o Brasil cortou as relações com a Alemanha e aliou-se aos EUA. Eles tiveram que fugir e se refugiar na mata para não serem aprisionados. No mato eles tinham que ficar em silêncio e abafar o choro das crianças. Muitos foram presos e torturados, pois passaram a ser considerados inimigos".

Família Deters

Família Deters
Dando sequencia às publicações da série „Nós Contamos a Sua História“, hoje um pouco da história da família Deters , segundo relato enviado por Odair Deters:
„Entre os séculos XIX e XX, muitos Deters migraram para o Novo Mundo, praticamente todos para os Estados Unidos da América. Mas Franz Deters, nascido em Steinfeld, Baviera, não seguiu o destino dos demais.
Em 1926, embarcou com sua família, no navio Werra da companhia Norddeutscher Lloyd, que fazia então o serviço Bremen-La Plata. Para partida, escolheu o alegre verão europeu, a grande embarcação partiu com 184 passageiros, praticamente metade da sua capacidade. Sendo que dos 184 passageiros, 12 representavam a família de Franz Deters. A família de Franz Clemens Deters, era composta por sua segunda esposa Maria Elisabeth Pölking e seus 6 filhos (Anton, Elisabeth, Clemens, August, Georg e Karl), mais os 4 dos 5 filhos do primeiro casamento (Bernard, Heinrich, Ana e Frantz). Um dos filhos, Josep, o mais velho de todos, seguindo o coração, não quis se desligar de sua paixão e ficou com a amada na Alemanha.
Foram 21 dias no mar, compartilhando o espaço com passageiros de 14 diferentes nacionalidades, com uma passagem por Nova Iorque, antes da descida ao hemisfério Sul. Desembarcaram no porto de Rio Grande, RS, no período em que ocorria o ponto mais alto da imigração alemã no Brasil, a década de 20 a de 30, período em que cerca de 75.000 outros alemães também vieram.
Após a chegada foram diretamente para o campo, assim como os primeiros alemães que aqui chegaram, um século antes. Os Deters, inicialmente foram para Santo Ângelo, RS, posteriormente pelas condições políticas impostas na Era Vargas, participaram da Sociedade União Popular ou “Volksverrein” e promoveram a colonização do extremo Oeste Catarinense, por germânicos católicos, hoje, município de Itapiranga, SC, onde encontrariam propriedades que permitiram o desenvolvimento das famílias, e mais segurança pela predominância de outros conterrâneos.
Os primórdios exigiram muito trabalho, um deles foi a extração de madeira, comercializada através do rio Uruguai, permitindo em 1945 a aquisição de um caminhão e o que exigiu que eles mesmos passassem a abrir estradas. Alguns filhos retornaram posteriormente para Santo Ângelo, na “Colônia Velha”, assim chamado o Estado do Rio Grande do Sul, pelos alemães. Este retorno objetivou reaver as propriedades compradas pela família em 1926. A partir daí desenvolveram-se as famílias Deters, tanto na região das Missões, RS, como no Oeste Catarinense.

A geração dos netos de Franz Deters passou a migrar para a área urbana, hoje, somam-se mais de 300 descendentes, que já realizaram dois encontros da família, identificando assim que os Deters estão residindo atualmente em diversas regiões do Brasil, e dispersos nas mais diversas profissões, entre elas: professores universitários, bancários, cientistas da computação, engenheiros, pedagogos, servidores públicos, comerciantes, entre outras, além-claro, de muitos que seguem desenvolvendo atividades no meio rural, todos, assim como, Franz Deters, o patriarca, em busca de seus sonhos pessoais, colaborando assim para o desenvolvimento do lugar onde vivem“.





Família Branger

Família Branger
Dando sequencia às publicações da série „Nós Contamos a Sua História“, hoje um pouco da história da família Branger:
"A família Branger tem sua origem em Magdeburg, cidade localizada as margens do rio Elba, no norte da Alemanha. Partiram para o Brasil no ano de 1875, professando a fé luterana, Johann Heinrich
Branger, sua esposa Caroline Schäfer e dois filhos Karl Friedrich Branger e Joahnna Branger. Ao chegar ao Brasil, foram enviados a Santa Catarina, onde se estabeleceram na Colônia Angelina. Em Angelina no ano de 1897, Karl Friedrich Branger casou-se com Adelaide Carolina Joana Laura Bourdot, Filha de Alexander Ferdinand Bourdot e Christiana Friederika Auguste Werlich; e dessa união nasceram os filhos: Lidya, Cristiano Júlio, Leopoldo, Evaldo e Bernardino.
Após seis anos, isto é em 1903, mudaram-se para a localidade de Campo Novo/Bom Retiro-SC, onde permaneceram por dois anos. Então se mudaram para a localidade de Campo do Maracujá/Rancho Queimado-SC, aonde a primeira filha do casal – Lidya Branger veio a falecer aos quatorze anos. Após negociar o terreno e vendê-lo, o senhor Karl Friedrich acabou esbanjando o dinheiro da propriedade vendida, vindo assim sua família padecer necessidades. Sem terras para trabalhar e sem abrigo, sua família fora obrigada a procurar refúgio nos ranchos de tropeiros estabelecidos às margens da estrada.
Em 1913 a família Branger novamente retornou a Bom Retiro, se estabelecendo no atual centro da cidade. Como não tinham terras para trabalhar, da qual poderiam obter o sustento, foram inúmeras as dificuldades enfrentadas. Após se mudarem para Rio Rufino-SC, onde permaneceram por um breve período, se estabeleceram na localidade de Pedra Branca/Alfredo Wagner-SC, Assim sendo, após vários anos de labutas e duras perdas, adquiriam terras com muito sacrifício na Colônia Militar Santa Theresa.
Em 1932 Evaldo Branger conheceu sua esposa Selma Felau, já Adventista que morava na localidade de Fundos de São João/Bom Retiro-SC; e então, em nome do amor, mas convicto da verdade, abraçou a fé e a esperança que ardia no coração de sua amada. Com a aceitação da verdade por parte de Evaldo, seus irmãos Leopoldo e Bernardino foram também alcançados pela mensagem. Entre os membros da família Branger destacamos o Pastor Euri Branger".

Família Kuz

Família Kuz
Dando sequencia às publicações da série „Nós Contamos a Sua História“,  hoje um pouco da história da família Kuz, segundo relato enviado por Renate Lange:
"Meu nome é Renate Maria Kuz Lange, nascida em 1947,na cidade de Passau, Alemanha. Vim para o Brasil com minha família, meus pais Therezia Kuz e Petro Kuz, e meus irmãos Rudolf e Gerald, em 1949, no pós guerra.
Somos imigrantes alemães. Viemos de vapor da Itália e chegamos no estado do Rio de Janeiro, de onde fomos transferidos para a Bahia, e depois para São Paulo, onde nos estabelecemos na cidade de Campinas. Lá fomos criados, eu me casei e nasceu também meu terceiro irmão,Pedro.
Lange é o nome de família de meu esposo que também é descendente de alemães. O primeiro Lange desembarcou no Rio Grande do Sul nos anos de 1800, e se ramificaram em SC e PR. Hoje resido na Bahia,mas não esqueço minhas raízes e tenho muito orgulho de ser alemã!"

domingo, 22 de novembro de 2015

Como elaborar um projeto de pesquisa

by marcia

O professor Ciro Flamarion Cardoso da Universidade Federal Fluminense (UFF) escreveu um artigo muito útil para estudantes e pesquisadores, abordando os principais etapas para elaboração do projeto de pesquisa:
1. Identificação do problema, formulação e delimitação do tema de pesquisa
2. Os objetivos do projeto
3. As hipóteses de trabalho (ou heurísticas)
4. O quadro teórico
5. Fontes e metodologia
6. Cronograma de execução
7. Bibliografia
Confira no link:
FONTE: Blog Prestes a Ressurgir.
livros-antigos

Obras de Hannah Arendt, Theodor Adorno, Walter Benjamim e Jürgen Habermas

by marcia

A Revista Biografia divulgou que já está disponível no Google Drive 39 obras de quatro dos maiores filósofos do século XX. Entre o material disponibilizado estão obras dos alemães Hannah Arendt, Theodor Adorno, Walter Benjamim e Jürgen Habermas, os três últimos conhecidos expoentes da Escola de Frankfut.
Para fazer o download das obras clique no link abaixo: 
livros-antigos

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

domingo, 1 de novembro de 2015

POR QUE NÃO QUEREM LIBERAR A fosfoamina - CURA DO CÂNCER PROIBIDA PELA A...

Descoberta da Cura do Cancer pelo cientista José Alexandre Barbuto - FlixTV

Pacientes com câncer relatam experiência com o uso da fosfoetanolamina

Alvaro Dias pede providências ao Executivo para a liberação da fosfoetan...

Senador Ivo Cassol critica restrição à fosfoetanolamina

Entrevista com Gilberto Chierice - Tv Cachoeira - Sobre a fosfoetanolamina

Domingo Espetacular 25 de Outubro 2015 - Fosfoetanolamina

Carreira, Gestão, Vida e Ética - HD - Mário Sérgio Cortella

A arte de liderar - Mário Sérgio Cortella

Palestra Prof Gretz

Palestra MOTIVACIONAL e bem HUMORADA - Professor Gretz

Palestra Motivacional - Roberto Carlos Ramos (Contador de Histórias)

Curso de memorização - completo

sábado, 10 de outubro de 2015

IMPOSTO
Fábio Porchat
 
 
Fiscal toca a campainha. Homem abre a porta.
 
- Boa tarde, eu sou do governo e vim coletar o Impár.
 
- O que ?
 
O Impár, que é o imposto do ar. A partir de agora, o cidadão paga pelo ar que respira.
 
- Amigo... o oxigênio é público.
 
- Se é público, quem cuida é o governo. Já vi que, desde que eu cheguei, o senhor já respirou umas 15 vezes. Cem reais; ou o senhor pode fechar o pacote de 200 reais que já inclui o imposto sobre a emissão de gás carbônico.
 
- O que ? Olha só... eu não vou pagar nada !
 
- Então eu vou ter que pedir pro senhor parar de respirar.
 
- Mas daí eu vou morrer.
 
- Aí então, o senhor tem que pagar o Importe, que é o imposto sobre a sua morte, no valor de 600 reais. É mais caro porque é taxa única.
 
- Isso é um absurdo !! Eu não vou pagar nenhum centavo; se quiser me processa !
 
- A ordem é mandar prender.
 
- Então me prende.
 
-Aí eu vou precisar te cobrar o Imprende; o senhor tem o CPMS pago aí?
 
- O que ?
 
- É que eu tô vendo que o senhor tá com um bronzeado bonito e agora o governo tá cobrando imposto em cima da luz solar.
CPMS é o Comprovante de Pagamento da Melanina Solar.
 
- Sr.Fiscal, deixa eu te perguntar:- Igreja paga imposto ?
 
- Não.
 
O homem  pega dois gravetos no chão, forma uma cruz : - Tá fundada a minha Igreja... o Senhor não vai colaborar com uma oferta ?
 
 
Bolsista do Programa Nacional de Apoio a Pesquisadores Residentes da Biblioteca Nacional (PNAP-R), Silvana Jeha teve a ideia de pesquisar sobre a história da tatuagem no Brasil em função de uma pequena seção de sua tese, cujo tema é: os marujos e recrutas da Armada do Império do Brasil.

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A pesquisadora Silvana Jeha no Gabinete da Biblioteca Nacional.
A pesquisadora Silvana Jeha no Gabinete da Biblioteca Nacional.
De acordo com a pesquisadora, a história da tatuagem no Brasil, e em diversos países, até a década de 1980, está ligada a grupos marginalizados e não há registros sistematizados fora dos arquivos médicos e policiais – presídios, manicômios e institutos médico-legais. Por isso, um acervo de grande abrangência, como o da BN, é fundamental para realizar uma pesquisa dessa natureza: “não poderia fazer tal pesquisa, não fosse uma instituição que abriga tanto material plural sobre o tema”, comenta Silvana.
“Com o acervo da BN pude esboçar os principais grupos de tatuados no Brasil antes da popularização da tatuagem no ocidente, a partir da década de 1970. São indígenas, africanos, imigrantes sírio-libaneses, japoneses, portugueses, prostitutas, trabalhadores, religiosos, marinheiros, soldados, prisioneiros, usuários de manicômios e personagens únicos. O desafio principal é justamente apresentar a tatuagem como um traço da cultura popular do Brasil nos últimos dois séculos”, relata a bolsista.
No período do século XIX, Silvana Jeha levantou centenas de anúncios de fugas de escravos para entender quais eram as escarificações (incisões superficiais na pele) que marcavam os indivíduos das diversas sociedades africanas que vieram para o Brasil. No final desse século, a partir de uma crônica de Machado de Assis publicada na Gazeta de Notícias, baseada em uma notícia de assassinato cujo suspeito era tatuado, ela reconstituiu a cena do crime, bem como as diversas informações do possível assassino, pesquisando em notícias de quatro jornais.
“Mas nem só nos periódicos estão os tesouros. No acervo iconográfico há diversas gravuras de escarificações de africanos, inclusive do século XVIII. Entre os manuscritos, encontrei o famoso texto “Tatuagem no Rio”, de João do Rio, que pode ser lido no original através da BNdigital. E no acervo de Obras Gerais consultei preciosidades bibliográficas da primeira metade do século XX”, conta a pesquisadora.
Silvana Jeha é doutora em História pela PUC-Rio (2011), onde defendeu a tese A galera heterogênea: Naturalidade, trajetória e cultura de recrutas e marinheiros da Armada Nacional Imperial do Brasil, c. 1822 – 1854. No mestrado, estudou as chamadas guerras justas contra botocudos e kaingangs no século XIX. Realizou diversas pesquisas textuais e iconográficas para o mercado editorial, bem como redação de livros de divulgação. Trabalhou com temas relacionados a presidiários e publicou dois artigos sobre marinheiros, um deles acerca de diários de marujos norte-americanos no Rio de Janeiro no século XIX. Em um CD-ROM da FIOCRUZ, publicou um artigo sobre a história de um barbeiro sangrador congolês e sua família no Rio de Janeiro oitocentista, que sairá em livro este ano.

REFERÊNCIAS

A pesquisadora Silvana Jeha separou algumas referências interessantes sobre o assunto, todas elas no acervo da Biblioteca Nacional. Veja a seguir:

AFRICANOS

CRÔNICAS

REPORTAGENS

IMAGENS RELACIONADAS

O Correio Paulistano de 5 de agosto de 1927 traz matéria ilustrada

Ouro e diamantes – a ilusão da riqueza

by marcia
A descoberta das minas na região de Minas Gerais, Mato Grosso (Cuiabá) e de Goiás trouxe mudanças econômicas e sociais a estas regiões – e em todo território direta ou indiretamente. A primeira metade do século XVIII foi o período de maior volume de exportação de ouro do Brasil. A decadência da atividade mineradora começa na década de 60 deste mesmo século, após o apogeu da produção e da fuga do metal precioso das mãos portuguesas (geralmente para as mãos britânicas). A migração para as minas foi impressionante: vinham pessoas de toda Colônia e da Europa, seduzidos pela riqueza “fácil”. O fluxo de escravos que acompanhou esta explosão dourada foi imenso.
Ao mesmo tempo em que o ouro e as pedras brotavam da terra e dos rios (ou melhor, eram arduamente extraídos deles), o abastecimento de gêneros de primeira necessidade era precário. Passava-se fome porque ninguém queria se dedicar ao trabalho de subsistência, os alimentos e outros produtos básicos precisavam percorrer longas distâncias no lombo das mulas, pois, vinham de outras regiões do Brasil. Os preços subiam cada vez mais. Os arraiais das Minas Gerais, como as pessoas se referiam a toda área da mineração, conheceu seus dias de glória. O “Barroco Mineiro” é lembrado até hoje pelas igrejas ricamente adornadas com ouro e pedras, além das belas obras do mestre Aleijadinho. Uma pequena elite branca formava a nata daquela sociedade, geralmente era composta pelos homens de confiança da Coroa que cuidavam dos interesses de Portugal (e deles próprios), fiscalizando a mineração.
Muita gente enriqueceu, mesmo sob o olhar vigilante da Metrópole. Escravos conseguiram suas cartas de alforria. Era uma sociedade de homens – tanto entre os brancos livres quanto entre os escravos. Foi um período em que as escravas mulheres puderam se libertar graças aos casamentos não oficiais e ao amancebamento. Foi a época das “mulatas desinquietas” de que falou Antonil, da famosa e mal falada Chica da Silva. O luxo e a miséria nunca foram tão nítidos quanto nos Oitocentos mineiros.
João Antônio Andreoni, o Antonil, em "Cultura e Opulência do Brasil" (1711), já falava sobre os perigos que a cobiça pelas minas representava e sobre os efeitos da sua descoberta na economia colonial:
"Não há cousa tão boa que não possa ser ocasião de muitos males, por culpa de quem não usa bem dela. E até nas sagradas se cometem os maiores sacrilégios. Que maravilha, pois, que sendo o ouro tão fermoso e tão precioso metal, tão útil para o comércio humano, e tão digno de se empregar nos vasos e ornamentos dos templos para o culto divino, seja pela insaciável cobiça dos homens contínuo instrumento e causa de muitos danos? Convidou a fama das minas tão abundantes do Brasil homens de toda a casta e de todas as partes, uns de cabedal, e outros, vadios. (...) E o pior é que a maior parte do ouro que se tira das minas passa em pó e em moedas para os reinos estranhos e a menor é a que fica em Portugal e nas cidades do Brasil, salvo o que se gasta em cordões, arrecadas e outros brincos, dos quais se vêem hoje carregadas as mulatas de mau viver e as negras, muito mais que as senhoras. Nem há pessoa prudente que não confesse haver Deus permitido que se descubra nas minas tanto ouro para castigar com ele ao Brasil, assim com está castigando no mesmo tempo tão abundante de guerras, aos europeus com o ferro".
- Texto de Márcia Pinna Raspanti

domingo, 27 de setembro de 2015

As viagens de d. Pedro II

O livro "As viagens de d. Pedro II – Oriente Médio e África do Norte, 1871 e 1876", escrito pelo pesquisador Roberto Khatlab, refaz o itinerário do imperador e relata sua passagem pelas terras do Oriente Médio e da África do Norte. Publicado pela Benvirá, selo de ficção e não ficção da Saraiva, o livro narra as negociações, os estudos e as impressões que o imperador do Brasil teve sobre aqueles povos, seus idiomas e cultura.
Em "As viagens de d. Pedro II", Khatlab apresenta um panorama do Oriente e da África do Norte pela visão do imperador, além de construir um perfil inovador do monarca. Durante o reinado de quase meio século, D. Pedro II realizou três grandes viagens internacionais, e duas delas, em 1871 e 1876, incluíram o Oriente e a África do Norte. Em suas viagens, alimentou um diário em que registrava suas experiências não apenas em palavras, mas também em desenhos – croquis rabiscados durante a noite, à luz de velas e fogueiras.
O autor diz que “além dos diários, obtidos no Arquivo Histórico do Museu Imperial de Petrópolis, consultou cartas que d. Pedro II escreveu a seus amigos. Várias dessas cartas se encontram no Museu Imperial de Petrópolis e em outras instituições no Brasil e no exterior, como na França. A pesquisa também contemplou materiais encontrados no Oriente Médio,como documentos, jornais, revistas da época, que esclarecem as passagens do monarca no Oriente”.
Roberto Khatlab é pesquisador e autor de vários livros sobre história, religião, relação Brasil-Oriente Médio, emigração e imigração libanesa, publicados em português, árabe, francês, inglês e espanhol, chegando a ganhar o prêmio de literatura Said Akl (Líbano). Reside em Beirute, no Líbano, onde é diretor do Centro de Estudos e Culturas da América Latina na Universidade Saint-Esprit de Kaslik (Cecal-Usek).
FONTE: Museu Imperial.

Valongo

domingo, 7 de junho de 2015

Saiba a origem e o significado de ditados e expressões

Saiba a origem e o significado de ditados e expressões
Palavras apropriadas pelo ditos mudaram de sentido. Mesmo assim, permanecem sendo faladas
  • Carolina Pompeo
Muitas expressões que falamos hoje nasceram séculos atrás, com outra forma e outro sentido. A tradição oral se apropria das palavras e seu sentidos e promove adaptações conforme o contexto histórico. O professor de Língua Portuguesa Reinaldo Pimenta diz que a história das palavras é a história do próprio homem. “Elas nascem e atravessam idiomas, mudando quase sempre na forma – para se adaptarem à fala de um povo – e muitas vezes no conteúdo, revelando o olhar e o pensar dos novos usuários”, escreveu na apresentação do livro A Casa da Mãe Joana, uma coleção de origens curiosas de palavras e frases populares.
A professora de Língua Portuguesa do Colégio Marista Paranaense, Eliane Viture, explica que as expressões populares são criadas por meio do senso comum, da aplicação de conceitos religiosos, morais e filosóficos. “São expressões utilizadas no nosso cotidiano, vencendo a barreira do tempo. São parte da cultura de um povo, uma comunidade. Além de uma forma de comunicação, também enriquecem a língua, pois as palavras unidas possuem significados distintos dos vocábulos isolados.”
A Gazeta do Povo resgatou a história por trás de algumas das expressões mais comuns do linguajar coloquial brasileiro:
Abraço de tamanduá
Tamanduá tem origem no tupi (tá-monduá) e dá nome a um caçador de formigas. Mamífero e desdentado, o bichinho parece não representar grande perigo para ninguém. Ledo engano. Não é à toa que “abraço de tamanduá” ganhou o sentido de “abraço de amigo falso”. Quando o tamanduá avista um inimigo, ergue-se nas patas traseiras e abre as dianteiras para aquele abraço. Diante de recepção tão calorosa, o inimigo se aproxima. É aí que o tamanduá se revela: abraça a vítima e lhe crava as unhas nas costas.
Arranca-rabo
Atire a primeira pedra que nunca teve ou testemunhou um arranca-rabo na vida? Pois é, a expressão faz referência a uma grande discussão ou briga envolvendo muitas pessoas. A origem da expressão remonta às batalhas de muito antigamente, quando arrancar o rabo do cavalo do inimigo era visto como uma façanha digna dos maiores guerreiros. A mania chegou a Portugal e ao Brasil – aqui, os cangaceiros aderiram à prática e passaram a descaudar o gado das fazendas como forma de humilhar os proprietários.
Rodar a baiana
Quando alguém ameaça rodar a baiana, sai de perto: é confusão na certa. Mas e a baiana, o que tem a ver com gente armando barraco?
A expressão tem origem no carnaval do início do século 20, quando alguns engraçadinhos tinham a péssima mania de distribuir beliscões no bumbum das mulheres. As tradicionais baianas também eram vítimas do assédio. Revoltadas, passaram a desfilar com capoeiristas disfarçados, fantasiados tal qual uma baiana. Porém, ao receber um beliscão inapropriado, os capoeiristas revidavam com navalhas. Eis a cena: beliscão, giro da baiana, confusão.
O fim da picada
Picada é aquela faixa limpa de terra, entre a roça e o mato, para evitar que o fogo ateado no roçado não alcance o mato. O fim da picada é, portanto, um local perigoso para quem estiver ateando o fogo no roçado. Picada também é a trilha feita geralmente a facão para facilitar a passagem por meio da mata e marcar o caminho para a volta. Uma pessoa que desaparece em uma dessas trilhas é facilmente encontrada pois, em tese, basta seguir a picada. Mas, se se chega ao fim da picada sem encontrar o desaparecido, significa que algo muito grave aconteceu com a pessoa – do contrário, a picada continuaria. Assim, fim da picada serve para falar de situações ruins, absurdas.
Tirar o pai da forca
Todo mundo sabe que a criatura que vai tirar o pai da forca está apressada. A origem da expressão está em Santo Antônio, o casamenteiro. A história conta que Antônio fazia um sermão no convento de Arcella, onde vivia, quando soube que seu pai havia sido condenado à forca. Antônio então teria colocado a mão no rosto, transportado-se espiritualmente para Lisboa e defendido o pai no tribunal, conseguindo sua absolvição. Para quem ouvia seu sermão, no convento, passou apenas um instante de silêncio. Eles sequer poderiam desconfiar a manobra que Antônio acabara de fazer para salvar o pai.
Cheio de nove horas
Aposto que você conhece alguém “cheio de nove horas”. A expressão é utilizada para dizer daquela pessoa cheia de frescuras e manias. Mas e o que as manias alheias têm a ver com nove horas? O pesquisador Luís da Câmara Cascudo, no livro Locuções tradicionais do Brasil, explica que, no século 19, a marca das nove horas da noite era uma espécie de regulador da vida social brasileira. Quando o relógio marcava 21 horas, era hora de se despedir das visitas e convivas e se recolher. Estender-se não pegava bem. Aqueles avistados pelas ruas depois das nove horas eram associados à boemia, aos pândegos.
Uma pessoa cheia de nove horas é, portanto, aquela pessoa meticulosa, cerimoniosa, apreciadora de regras e restrições, afeita aos códigos sociais que muitas vezes apenas complicam o que é simples.
Onde Judas perdeu as botas
Embora não haja registro ou nem mesmo indícios nos relatos bíblicos de que Judas Iscariotes, o discípulo que delatou Cristo, usasse botas, uma antiga história popular dá conta de que o traidor escondeu a recompensa recebida por entregar Cristo aos judeus justamente em um par delas. Como até hoje ninguém conseguiu encontrar as botas recheadas de moedas, diz-se “onde Judas perdeu as botas” daqueles lugares longínquos ou quando nem promessa a São Longuinho ajuda a encontrar um objeto perdido.
Pensar na morte da bezerra
Outra expressão alterada pela tradição oral. A original dizia “Pensar na morte do Bezerra”, pois fazia menção à morte de um homem de nome Bezerra que, após ser acusado de um crime hediondo, teria sido espancado por populares até a morte. O episódio teria sido tão violento que quando alguém era flagrado com ar pensativo, dizia-se que estava “pensando na morte do Bezerra”. Hoje, a frase é evocada na mesma situação, mas agora o indivíduo pensativo, preocupado, está é pensando na morte da bezerra mesmo.
Sem eira, nem beira
Um sujeito sem eira nem beira é aquele sem dinheiro e sem juízo. Antigamente, a eira era um detalhe do acabamento dos telhados das casas. Aqueles que possuíam eira e beira eram pessoas de posses, dinheiro e cultura. Então, quem não tinha eira nem beira eram aqueles menos abastados.
Espírito de porco
A expressão designa uma pessoa inconveniente, atrapalhada, incômoda. No Brasil Colônia, os escravos faziam todo tipo de trabalho, mas tinham verdadeiro pavor de abater porcos. A crença popular dizia que os espíritos suínos atormentavam seus algozes durante à noite.
Ir para a cucuia
Fala-se que o falecido “foi para a cucuia”. A expressão surgiu no Rio de Janeiro, em um bairro da Ilha do Governador chamado Cacuia. Quando algum morador da região falecia, os conhecidos diziam que a pessoa foi para o cemitério da Cacuia. A tradição oral transformou Cacuia em cucuia.
Fontes: 
Acervo Saber (http://www.acervosaber.com.br/)

Na Casa da Mãe Joana (Reinando Pimenta)
Locuções Tradicionais do Brasil (Luís da Câmara Cascudo)