sábado, 15 de novembro de 2014

Sociedades Secretas no Brasil: A BUCHA

Sociedades Secretas no Brasil: A BUCHA – De estudantes a donos do poder


Por Paulo Rezzutti.
“– É a polícia, ninguém se mexa!”, exclamou triunfante o subdelegado Armando Pamplona para um bando encapuzado.
Eram os anos finais da Primeira Guerra Mundial, e Pamplona, alerta, buscava espiões alemães por toda a parte. Certa noite, passando a altas horas pelo antigo prédio do Liceu de Artes e Ofícios em São Paulo, notou uma estranha movimentação. Diversos senhores com ares misteriosos tomavam carros de luxo estacionados nas redondezas do edifício. Decidido, o subdelegado resolveu montar uma campana para descobrir do que se tratava.
A persistência finalmente deu resultado. Certa noite, por volta das nove horas, vultos suspeitos se esgueiravam para dentro do edifício. Já passava das dez horas quando o o movimento suspeito terminou e o subdelegado chamou seus homens e invadiu o local.
Pamplona deve ter achado esquisito aquele bando de seres estranhos trajando mantos e faixas bordadas. Uns traziam no peito uma âncora verde, símbolo da esperança, outro um coração vermelho, lembrando a caridade, alguns a cruz azul da fé.
O subdelegado estava radiante com a perspectiva de ter “explodido” um ninho de perigosos espiões. Mas qual não foi sua surpresa quando os membros da assembleia, perplexos diante daquela invasão, começaram a tirar os capuzes. Armando começou a reparar que os rostos lhe eram familiares: ele conhecia alguns daqueles senhores pessoalmente, outros de vista, outros por fotos em jornais. Estava no salão o governador do Estado, Altino Arantes, diversos políticos paulistas, mineiros, cariocas e gaúchos, além de inúmeros professores das Faculdades de Direito, Medicina e Politécnica, assim como o secretário de Segurança Pública, Elói Chaves, chefe de Pamplona, que, invertendo a ação, deu ordem de prisão ao subdelegado e a seus homens.
Naquela mesma noite os invasores foram juramentados e ameaçados severamente pelas altas personalidades ali reunidas. Assim terminou a sonhada grande noite do subdelegado Pamplona; ao invés de uma grande batida, a prisão de uma gangue de espiões, a fama e a glória estampadas nos jornais matutinos, ele acabou se tornando, à força, membro juramentado da Bucha, a sociedade secreta que por quase cem anos governou o destino do Brasil.
Em 11 de agosto de 1827, o imperador D. Pedro I assinou a lei que criava os cursos jurídicos no Brasil. Ela previa a instalação de duas faculdades, uma em Recife e outra em São Paulo. Esta última foi a primeira a entrar em funcionamento, recebendo estudantes do Brasil inteiro. Instalada em parte do antigo e semiabandonado Convento de São Francisco, as arcadas do velho claustro acabara se tornando sinônimo da recém-instalada academia. A lei de 11 de agosto também institucionalizou os Cursos Anexos, espécie de curso preparatório que capacitava os jovens a prestarem os exames de admissão à faculdade.
Nos Cursos Anexos, houve, entre tantos outros, dois importantes professores estrangeiros de índole liberal a influenciar seus alunos: o italiano Líbero Badaró, professor de aritmética assassinado em 1830 por suas ideias, e o alemão Johann Julius Gottfried Ludwig Frank, ou simplesmente Júlio Frank, como passou a ser conhecido no Brasil. Frank, nascido em 1808, havia estudado na Universidade de Göttingen, mas não chegou a se formar. Teve que sair da cidade por conta de dívidas contraídas e acabou vindo para o Brasil. Tentou inicialmente se estabelecer no Rio de Janeiro, depois no interior de São Paulo e por fim na capital, onde passou a dar aula.
Frank faleceu de pneumonia em 1841 e, como não era católico, seu corpo teria de ser sepultado no Cemitério dos Aflitos, local que recolhia indigentes, criminosos mortos na forca e escravos. Um ultraje para o venerado mestre. A juventude brasileira estudante nas Arcadas, em revolta, resolveu enterrar seu amado professor na própria escola. Durante a demolição do antigo convento, que abrigou a faculdade de 1827 até 1930, para a construção do atual prédio, uma guarda de honra manteve vigília no túmulo de Frank, impedindo que seu descanso fosse violado. Seu túmulo, em um dos pátios, é venerado pela tradição acadêmica da faculdade até hoje.
Inspirado nas Burschenschaften, ou Confrarias de Camaradas, instituições estudantis acadêmicas alemãs, Frank teria tido, durante uma reunião com o segundanista Vicente Pires da Mota e o secretário de Governo da província de São Paulo, Pimenta Bueno, a ideia de criar uma associação similar na Academia de Direito, por conta das condições difíceis em que viviam alguns estudantes. Segundo o escritor Luiz Gonzaga da Rocha, “a Bucha tinha por objetivo a filantropia, ou seja, prestar auxílio aos alunos sem recursos e que lutavam com dificuldades para estudar e, ainda, tinha por objetivo ressaltar a função social do advogado no seio da sociedade paulistana e brasileira, por extensão”.
Os integrantes da Bucha, ou Bucha Paulista, ou ainda B. P., como passaria a ser chamada a Burschenschaft da Academia de Direito de São Paulo, eram escolhidos pela sua inteligência e lisura de caráter. Na faculdade, a ordem era composta por Catecúmenos, Crentes e Doze Apóstolos; fora, por Chefes Supremos e Conselho dos Divinos. A estrutura da sociedade, com o passar dos anos, transcendeu os velhos muros da Academia e passou a permear a política nacional, envolvendo a estrutura burocrática do estado.
Os antigos alunos da Academia que pertenciam à Bucha e ocupavam posições nas diversas esferas do poder nacional acabaram favorecendo outros membros da organização na distribuição de cargos governamentais. O historiador Luis Fernando Messeder dos Santos, autor da dissertação de mestrado A Burschenschaft e a formação da classe dirigente brasileira na República Velha, afirma a respeito: “Percebe-se o fortalecimento da atuação da organização na década de 1870, quando alguns dos que iriam ocupar a ‘suprema magistratura’ do País durante a Primeira República estudaram na mesma turma”.
Durante o Império, entre os “bucheiros”, encontramos políticos, artistas e intelectuais destacados, como Castro Alves, Álvares de Azevedo, o barão do Rio Branco, o visconde de Ouro Preto, entre outros. Após a queda do Império, em 1889, foi instituída uma comissão, apelidada de Comissão dos Cinco, encarregada do anteprojeto da Constituição Republicana. Dos cinco membros, três eram bucheiros: Saldanha Marinho, Américo Brasiliense e Santos Werneck.
Embora os ideais liberais levados para as Arcadas por Líbero Badaró e Júlio Frank tenham servido de norte para a criação da Bucha, inspirando seus membros a lutarem pelo abolicionismo e pela república, à medida que os ardores juvenis arrefeciam e seus integrantes passavam a pertencer ao establishment, alguns deles transformaram-se em conservadores, defendendo a monarquia e a escravidão.
Na República Velha, acredita-se, não havia ministro, juiz ou mesmo candidato à presidência da República que tomasse posse, ou fosse indicado, sem prévia deliberação do Conselho dos Divinos. A filantropia inicial, a ideia de ajuda mútua, acabou se corrompendo e desaguou no franco favorecimento para obtenção de cargos públicos. Segundo o professor Miguel Reale, em suas memórias: “Como toda a sociedade secreta [a Bucha], logo se degenerou em cadeia de privilégios, que começava na Faculdade pela seleção dos catedráticos e terminava nos acordos ‘café com leite’ entre ex-alunos de São Paulo e Minas Gerais, sob a batuta do Senador [do Rio Grande do Sul] Pinheiro Machado, também diplomado pelas Arcadas, e que, sutilmente, preferia ser a iminência parda dos eventos republicanos”.
Nos primeiros quarenta anos da República no Brasil, do governo dos militares Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto à Política do Café com Leite, diversos bacharéis formados por uma das duas Academias de Direito (São Paulo e Recife) e pertencentes à Bucha destacaram-se, ora como ministros, ora assumindo a presidência do país. Dos 14 presidentes da chamada República Velha, oito eram membros da sociedade: Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Venceslau Brás, Artur Bernardes, Washington Luís e Júlio Prestes, que não chegou a ser empossado por conta da Revolução de 1930.
Quando a Bucha foi fundada, no início da década de 1830, também surgiu outra instituição, denominada Sociedade Filantrópica, que prestava ajuda a presos e órfãos. Desde então, a sociedade secreta da Faculdade de Direito sempre esteve ligada a um “braço” público. Na década de 1910, um deles, a Liga Nacionalista, aglutinou em sua direção membros da Faculdade de Medicina e da Politécnica. Estas possuíam também suas próprias organizações estudantis, coirmãs da Bucha: a Jungendschaft (União da Mocidade), na Medicina, fundada em 1913, e a Landmanschaft (sociedade das pessoas de um mesmo campo), na Politécnica, fundada em 1895. O intercâmbio de alunos de Direito entre São Paulo e Recife acabou por ocasionar a criação de um braço da Bucha em Pernambuco, a sociedade Tugendbund (União e Virtude).
Com a revolução de 1930, que pôs fim à República Velha, chegou ao poder Getúlio Vargas. Dataria daí o declínio da força da Bucha. Adhemar de Barros, então interventor do Estado de São Paulo, teria conseguido colocar as mãos em uma lista parcial de membros da Bucha no final da década de 1930 e se apressou a apresentá-la a Getúlio. Segundo o jornalista e político Carlos Lacerda, o presidente leu atentamente a lista e a devolveu para Ademar dizendo: “Não se pode governar o Brasil sem essa gente, o senhor que entre para a Burscheschaft”.
Em 1931, quase cem anos após a criação da Bucha, foi fundada a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo pelo diplomata José Carlos de Macedo Soares. Segundo Afonso Arinos de Melo e Franco, Macedo Soares teria sido o último chefe daquela sociedade secreta, e a associação seria a sucessora final da Bucha.
Mas e nos dias de hoje, a Bucha ainda existiria? Segundo o historiador Pedro Brasil Bandecchi em 1961: “Jânio Quadros teria se referido à Bucha quando falou de forças ocultas para justificar sua renúncia”.
O atual presidente da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP, Dr. José Carlos Madia de Souza, afirma que, em 13 anos como presidente da entidade, jamais teve conhecimento da continuidade da existência ou da atuação da Bucha.
Já o jornalista e escritor Fernando Jorge, ex-aluno da São Francisco e antigo vice-presidente da Academia de Letras da faculdade, na década de 1950, é de opinião contrária: “Na minha época achava curioso o costume de alunos mais velhos se encontrarem ao redor do túmulo do Júlio Frank. Alguns diziam que era ritual da Bucha. Anos mais tarde, na década de 80, Bandecchi, numa conversa comigo e com o historiador Leonardo Arroyo, afirmou categoricamente que a Bucha ainda existia”.
E.S.P.A.R.T.A. – Da guerra fria à globalização
Em 2006, a comunidade da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo foi surpreendida com cartazes nos corredores de suas unidades.  Nele, a sociedade E.S.P.A.R.T.A. anunciava a comemoração de seus 50 anos de existência. Poucos sabiam o que aquela imagem de uma caveira cercada por cinco raios, com ossos cruzados embaixo, e o número 326 significavam.
A E.S.P.A.R.T.A., segundo rumores, seria um outro ramo da Burschenschaft e teria surgido em 1956. Diferentemente dos famosos 300 de Esparta, gregos que morreram na Batalha das Termópilas defendendo sua terra da invasão persa, essa sociedade secreta era composta de menos que 300 membros, já que, por ano, eram recrutados 20 alunos. Metade deles eram pessoas indicadas por membros antigos e ficariam em observação por um ano. Cinco vagas seriam reservadas para membros que solicitassem sua entrada na sociedade, e as demais, reservadas para filhos de antigos membros.
Nascida no meio da Guerra Fria, período histórico de 1945 a 1991 marcado por disputas estratégicas e conflitos indiretos entre Estados Unidos e a extinta União Soviética, a E.S.P.A.R.T.A. contaria com um projeto de poder denominado Jano, nome do deus romano representado por duas ou mais faces, cada qual olhando para uma direção diferente.  Preparando-se para dois cenários mundiais distintos, um com o socialismo como vencedor e outro com o capitalismo, a sociedade teria formado duas elites para que seus interesses sobrevivessem em qualquer panorama.
Entre seus membros, estariam proeminentes figuras acadêmicas, como Perseu Abramo, Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso, os dois primeiros fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), e o último, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Juntos, esses partidos têm se mantido há 20 anos na presidência da República. Seus políticos, em alguns momentos, uniram-se a uma causa comum, como quando o então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva, apoiou a campanha política de Fernando Henrique Cardoso para o Senado Federal, em 1978, chegando, até, a representá-lo em alguns comícios.
Quadro – Sociedades Secretas Estudantis
Contemporâneas à Burschenschaft da Academia de Direito de São Paulo, diversas associações estudantis surgiram em universidades norte-americanas. A mais famosa delas, a Skull and Bones, da Universidade de Yale, teve entre seus membros, por exemplo, três membros da família Bush, dois deles tendo sido presidentes dos Estados Unidos

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

CARVÃO EM BRASAS

CARVÃO EM BRASAS
 
Uma distribuidora de medicamentos deverá pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais a trabalhador que foi obrigado a caminhar em um corredor de dez metros de carvão incandescente durante um evento motivacional da empresa. Além do episódio, o funcionário alegou ter sofrido humilhações decorrentes de campanha intitulada "Grande Prêmio Promoções", onde o primeiro colocado tirava uma foto ao lado de uma réplica de Ferrari e o pior colocado ao lado de um Fusca. As fotos eram fixadas no mural da empresa e enviadas por e-mail para todos da equipe.



O caso causou espanto entre os ministros da 1ª turma do TST, incumbidos de julgar a matéria. O presidente do colegiado, ministro Lelio Bentes Corrêa, se disse "chocado e estarrecido". "Em 12 anos de TST, nunca vi nada parecido."
Treinamentos motivacionais
Na ação, o autor alegou que o fato de ter de andar sobre o carvão em brasas comprometeu não só sua saúde, mas a integridade física de todos que participaram da atividade. Uma das testemunhas destacou que todos, inclusive trabalhadores deficientes físicos, tiveram que participar do treinamento e que alguns tiveram queimaduras nos pés.
A empresa confirmou que realizou o treinamento, mas disse que a atividade foi promovida por empresa especializada, e que a participação não foi obrigatória. Segundo a distribuidora, o procedimento não teve a "conotação dramática" narrada pelo trabalhador, e ocorreu em clima de descontração e alegria, sem nenhum incidente desagradável ou vexatório.
Conduta antijurídica
O relator do processo no TST, ministro Walmir Oliveira da Costa, destacou que "não se pode conceber, em pleno século XXI, que o empregador submeta o empregado a situações que remetam às trevas medievais". O fato de o treinamento motivacional apresentar ao participante a possibilidade de caminhar por corredor de dez metros de carvão em brasa "é o bastante para constatar o desprezo do empregador pela dignidade humana do empregado".
O ministro destacou ainda que o acórdão do TRT deixou evidenciado o fato ofensivo e o nexo de causalidade, ou seja, sua relação com o trabalho. Para ele, o dano moral é consequência da conduta antijurídica da empresa. Além disso, segundo o relator, a empresa pretendeu reabrir o debate em torno da comprovação do dano por meio de provas, o que é inviável de acordo com a súmula 126 do TST.
A empresa foi condenada a pagar R$ 50 mil a título de dano moral, sendo R$ 10 mil em decorrência das humilhações sofridas nas campanhas e R$ 40 mil pela caminhada sobre o carvão em brasas.



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Titãs - É Preciso Saber Viver


Titãs Epitáfio


Boeing: High-Speed Test Lab


anos 70 Discoteca (20 musicas Top com nomes )


7 Coisas Toscas que eram Sucesso nos Anos 90 [Canal 90]


Anos 80 saudades [1]


RECORDAÇÕES, BRINQUEDOS E COISAS DOS ANOS 60/70/80


Plácido de Castro deveria ser considerado o maior herói da História do Brasil

 
 
O Acre - Non es fiesta, es revolución. 
 
 
 
 
 
E o dia 6 de agosto, um dos maiores marcos da bravura do povo brasileiro, passou mais uma vez em brancas nuvens
 
 
 
Plácido de Castro deveria ser considerado o maior herói da História do Brasil
 
 
 
 
 
 
Carlos Newton
Tribuna da Internet
09 de agosto de 2014

É decepcionante constatar que o Brasil não cuida de sua memória. Se você perguntar a algum historiador brasileiro sobre o dia 6 de agosto, possivelmente ele não lembrará do que se trata. Se o historiador for católico, pode ser que se lembre de que se trata do Dia de Nosso Senhor do Bonfim ou de Bom Jesus da Lapa. Se for estudioso da História das Américas, poderá lembrar que foi em 6 de agosto que Simón Bolívar entrou em Caracas, após a vitória de Taguanes, e recebeu o título honorífico de Libertador, e 12 anos depois, também num 6 de agosto, Bolívar declarou a independência do país que levou seu nome, a Bolívia.

Mas dificilmente o historiador se lembrará do que deveria significar o 6 de agosto para os brasileiros, por ser a data em que se iniciou a revolução que culminou na anexação do Acre ao território nacional, livrando a Amazônia da possibilidade de ser colonizada pelo Império britânico, que na época (1902) dominava a maior parte do mundo e estava tentando usurpar a Amazônia com apoio dos Estados Unidos, que mal começava a ser firmar como grande potência.


A CORRIDA DA BORRACHA


Naquele início de século XX, a borracha já se tornara uma das mais importantes e estratégicas matérias-primas, e toda a produção mundial provinha de um só lugar, a Amazônia, onde vicejava a nativa hevea brasiliensis, que era mais abundante justamente no território boliviano do Acre, uma extensa região que desde os anos 1870 vinha sendo colonizada por brasileiros, que emigravam para viver da borracha. Lá havia seringueiros e aventureiros de todo o país, mas a imensa maioria vinha do Nordeste, sobretudo do Ceará.


Um desses aventureiros chama-se José Plácido de Castro, era gaúcho de São Gabriel, filho do capitão Prudente da Fonseca Castro, veterano das campanhas do Uruguai e do Paraguai, e de Dona Zeferina de Oliveira Castro.


Plácido começou a trabalhar aos 12 anos – quando perdeu o pai – para sustentar a mãe e os seis irmãos. Aos 16 anos, ingressou na vida militar, chegando a 2° sargento, entrou na Escola Militar do Rio Grande do Sul e depois lutou na Revolução Federalista ao lado dos “maragatos”, chegando ao posto de Major. Com a derrota para os “pica-paus”, que defendiam o governo Floriano Peixoto, Plácido decidiu abandonar a carreira militar e recusou a anistia oferecida aos envolvidos na Revolução.


Mudou-se para o Rio de Janeiro,  foi inspetor de alunos do Colégio Militar, depois empregou-se como fiscal nas docas do porto de Santos, em São Paulo e, voltando ao Rio, obteve o título de agrimensor. Inquieto e à procura de desafios, viajou para o Acre, em 1899, para tentar a sorte como agrimensor e logo arranjou trabalho por lá.


O BOLIVIAN SYNDICATE


Havia uma antiga disputa de terras entre Brasil e Bolívia, os colonos brasileiros já tinham até declarado duas vezes a independência do Acre, mas o governo brasileiro mandara tropas para devolver o território à Bolívia. Até que surgiu a notícia de que a Bolívia havia arrendado o Acre aos Estados Unidos, através do Bolivian Syndicate, uma associação anglo-americana sediada em Nova York e presidida pelo filho do então presidente dos EUA, William McKinley.


O acordo autorizava o Bolivian Syndicate a usar força militar como garantia de seus direitos na região, as leis e os juízes seriam norte-americanos, a língua oficial seria o inglês e os Estados Unidos se comprometiam a fornecer todo o armamento que necessitassem. Além disso, tinham a opção preferencial de compra do território arrendado, caso viesse a ser colocado à venda. E a Bolívia também se comprometia em, no caso de uma guerra, a entregar a região aos Estados Unidos.


Plácido de Castro estava demarcando o seringal Victória, quando ficou sabendo do acordo pelos jornais e viu nisto uma ameaça à integridade do Brasil. Tinha 27 anos, era o único militar de carreira que morava naquela região e decidiu liderar uma resistência. Convocou os comerciantes, seringalistas e emigrantes brasileiros, formou um pequeno grupo de guerrilheiros e aproveitou o dia 6 de agosto, feriado nacional na Bolívia, para iniciar a revolução.


A REVOLUÇÃO COMEÇA…


Quando Plácido chegou com cerca de 60 guerrilheiros ao pequeno quartel do Exército boliviano na vila de Rio Branco, às margens do Rio Acre, o oficial boliviano julgou que os brasileiros vinham comemorar o feriado. “Es temprano para la fiesta”, disse ele, e Castro respondeu: “Non es fiesta, es revolución”. E a guerra começou, para desespero do governo brasileiro, que não se interessava pelo Acre.


O governo boliviano logo enviou mais um contingente de 400 homens, comandados por Rosendo Rojas. Mas Plácido de Castro, percursor da guerrilha na selva,  se revelou um grande estrategista e conseguiu enfrentar e derrotar o Exército e a Marinha da Bolívia em várias batalhas.


Os combates da Revolução Acreana duraram vários meses e a revolução só acabou em janeiro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil comprou o território do Acre à Bolívia, anexando essas terras ao nosso país.


Além do Brasil seguir dominando o comércio mundial da borracha, outro resultado da vitória da Revolução liderada por Plácido de Castro foi o sepultamento do sonho anglo-americano de dominar o Acre e a Amazônia. Ao vencer o Exército e a Marinha da Bolívia, aqueles valorosos guerrilheiros brasileiros na verdade estavam derrotando também a maior potência militar do mundo, a Inglaterra, e seu principal aliado, os Estados Unidos.


Esta é uma história linda, que infelizmente não se aprende nos colégios brasileiros. Somente é lembrada . Mas um dia o major Plácido de Castro há de se lembrado e homenageado como um dos maiores heróis deste país.
 

sábado, 17 de maio de 2014

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